Título: FIM DA VERTICALIZAÇÃO DIVIDE BASE NO CONGRESSO
Autor: Ilmar Franco
Fonte: O Globo, 17/04/2005, O País, p. 13
BRASÍLIA. A votação da emenda constitucional que acaba com a verticalização, regra pela qual os partidos precisam obedecer nos estados à coligação da eleição presidencial, vai dividir a base do governo no Congresso. Os partidos aliados estarão de um lado, votando pelo fim da verticalização, enquanto o PT, com o apoio de uma parcela do PSDB, tentará manter a verticalização. Mas a batalha não se restringirá aos partidos. O governo quer evitar que a emenda obtenha os 308 votos necessários para a aprovação.
¿ Sem uma reforma política que aprove voto em lista e fidelidade partidária, acabar com a verticalização é criar o pior dos mundos. O PT votará contra porque o sistema eleitoral, que já está uma bagunça, viraria uma anarquia legalizada ¿ diz o presidente do PT, José Genoino.
A luta pelo fim da verticalização foi desencadeada pelo PMDB e recebeu apoio imediato de PFL, PTB, PL, PP, PSB, PCdoB, e PPS. O presidente do PMDB, Michel Temer (SP), reconhece que não será fácil aprovar a emenda.
¿ A maioria dos deputados é a favor do fim da verticalização, mas não será fácil mobilizá-los para garantir 308 votos. Os governadores do PMDB temem que os acordos nacionais para a sucessão presidencial criem limitações para as alianças nos estados ¿ afirmou Temer.
Para o líder do PP, José Janene (PR), a verticalização é uma camisa-de-força. Já o líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ), avalia que a regra é artificial num país como o Brasil, em que a disputa em cada estado obedece a realidades distintas em relação à eleição para a Presidência.