Título: FÔLEGO INTERNO: PESQUISA DO BC MOSTRA AINDA APOSTA NA MANUTENÇÃO DA SELIC
Autor: Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 19/04/2005, Economia, p. 19
Previsão de inflação sobe pela 7ª vez seguida e já se reflete na taxa de 2006
Projeção do mercado para 12 meses sobe para 5,58%, após 3 meses de queda
BRASÍLIA e RIO. A piora nas expectativas de inflação este ano ¿ pela sétima vez consecutiva, o mercado elevou as estimativas para 2005 do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência para o sistema de metas de inflação do governo ¿ já começa a contaminar as projeções futuras da taxa que orienta as metas do governo. Segundo pesquisa do Banco Central com cem instituições financeiras, o IPCA deve fechar o ano em 6,10%, contra 6,04% da semana anterior, aproximando-se do teto de 7% da meta prevista para este ano. Com isso, a estimativa para os próximos 12 meses também subiu, de 5,48% para 5,58%.
A projeção para 12 meses vinha caindo desde janeiro, quando atingiu o pico de 6%. Apesar do aumento nas previsões para a inflação, o mercado espera que o Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne hoje e amanhã, mantenha inalterados os juros básicos da economia, a Taxa Selic, em 19,25% ao ano.
¿ A percepção do mercado é que a política monetária apertada já alcançou o objetivo de desacelerar a atividade econômica na indústria e no comércio ¿ disse Guilherme Maia, da Consultoria Tendências.
Segundo ele, a aposta na estabilidade da Selic leva em consideração uma ligeira melhora no cenário externo, desde a última reunião do Copom no mês passado. Entre os fatores positivos está a indicação do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de que o ajuste nos juros básicos dos EUA pode continuar a ser feito de forma gradual.
Os economistas alertam, no entanto, que há dúvidas de que a acomodação no ritmo da produção seja suficiente para trazer a inflação para abaixo do teto da meta de 7%. Para Alex Agostini, da consultoria GRC Visão ¿ que aposta em alta de 0,25 ponto percentual na Selic ¿ o núcleo da inflação (que desconsidera a pressão de fatores sazonais) permanece elevado, em 7,7% em março, segundo o IBGE. Além disso, houve elevação nos índices que corrigem os contratos de energia e telefonia.
Dólar cai 0,46% com rumor de captação do governo
Apesar da deterioração nas projeções dos analistas, o mercado financeiro teve ontem um dia de recuperação, após as fortes perdas registradas na semana passada. Os investidores se animaram com a queda do petróleo e rumores de uma nova captação do governo no mercado internacional. Em Londres, o barril do Brent para entrega em junho caiu 1,63%, para US$50,78. Em Nova York, o barril do tipo cru leve americano chegou a ser negociado abaixo de US$50, mas fechou a US$50,37, com queda de 0,23%.
Com isso, o dólar caiu 0,46% e fechou na mínima do dia, a R$2,608. O risco-Brasil ¿ indicador que mede a confiança dos investidores estrangeiros no país ¿ recuou 3,68%, para 471 pontos centesimais, e o título da dívida externa brasileira mais negociado no mercado internacional, o Global 40, subiu 1,18%, para 111,9% do valor de face. A Bolsa de Valores de São Paulo subiu 0,90%.
(*) Com agências internacionais