Título: Pílula e preservativo sim, aborto não
Autor: Ilimar Franco
Fonte: O Globo, 20/04/2005, O País, p. 9

BRASÍLIA. O país com o maior número de católicos do mundo segue a posição da Igreja em relação ao aborto, mas é liberal sobre o controle da natalidade. Entre os entrevistados pela pesquisa do Sensus, 85% declararam que são contra a prática do aborto, e 12,3% são favoráveis. Dos que são contra o aborto, 49,5% mantêm a posição mesmo em caso de gravidez decorrente de violência sexual. Neste caso, o aborto é justificável para 43,5% dos entrevistados.

As posições da Igreja não encontram apoio quando se trata da limitação do número de filhos e do uso de métodos para evitar a gestação. O planejamento familiar para regular o número de filhos dos casais é apoiado por 82,9% dos entrevistados, e só 12,7% são contrários. A maioria é a favor da utilização de métodos anticoncepcionais: 87,2% favoráveis e apenas 9,7% contrários. O uso de preservativos e da pílula do dia seguinte é aprovado por 84,4% dos pesquisados, e só 12,3% se declararam contra.

A pesquisa também detectou que há uma sensação de que a pobreza e a violência no país se deterioraram nos últimos seis meses. A pobreza piorou para 64,6% dos entrevistados (em fevereiro, o índice era 55,9%). Apenas 8,1% acham que houve melhora nas ações de combate à pobreza.

Para a população também continuam piorando os índices de violência: esta é a opinião de 85% dos entrevistados, cinco pontos percentuais a mais em relação a fevereiro. Para apenas 4,3% houve melhora.

Segundo a pesquisa, aumentou de 35,% para 44,9% o percentual dos que consideram que piorou o atendimento na saúde pública. E caiu de 23,2% para 22,7% os que acreditam que melhorou.