Título: TRANQÜILIDADE NA PORTA DA MAIOR DAS EMERGÊNCIAS
Autor: Carolina Brígido
Fonte: O Globo, 21/04/2005, Rio, p. 10

Poucas horas após a decisão da Justiça que devolveu a administração do Souza Aguiar à prefeitura, o clima era de tranqüilidade na porta da maior emergência do país. Algumas pessoas aguardavam atendimento do lado de fora e poucas tinham críticas. A aposentada Regina Maria da Silva disse que município e União deveriam chegar a um acordo.

¿ Acho que a prefeitura tinha que assumir os hospitais municipais, e a União voltar a administrar suas unidades ¿ disse Regina, que levou um sobrinho para ser atendido.

Outros pacientes que deixavam o hospital não quiseram comentar a mudança. A tranqüilidade na porta do Souza Aguiar em nada lembrava o caos de dias atrás: filas enormes na emergência e falta de medicamentos, médicos e equipamentos. A situação era semelhante no Miguel Couto. Nove dias após a intervenção, o quadro no Souza Aguiar ainda era tumultuado. Pacientes tomavam soro sentados em cadeiras na emergência. No dia seguinte à intervenção, reportagem do GLOBO mostrava a situação caótica no Miguel Couto, relatando o caso do desempregado Alberto Mascarenhas, que passou 19 horas sentado numa cadeira da emergência até ser liberado. Antes da intervenção, o centro cirúrgico do Miguel Couto também enfrentava problemas. Muitas cirurgias foram realizadas em temperaturas acima de 30 graus, já que ar-condicionado estava quebrado.