Título: EMPRESÁRIOS E SINDICALISTAS SE UNEM PARA DERRUBAR O VOLUME DE IMPOSTOS
Autor: Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 21/04/2005, Economia, p. 21
Organizadores do movimento se inspiraram na Inconfidência Mineira
SÃO PAULO. Animados com o sucesso do movimento que derrubou no Congresso a medida provisória (MP) 232 ¿ que aumentava os impostos de prestadores de serviços ¿ representantes de entidades empresariais e da Força Sindical lançaram ontem as bases do que chamaram de ¿Nova Inconfidência¿. Baseados na Inconfidência Mineira, que lutou contra a derrama de impostos do império português, eles querem a redução da carga tributária, que ano passado chegou a 36,74% do PIB.
¿ Sobre o ouro das minas havia o decreto que exigia a arrecadação de cem arrobas anuais. E de cada quilo extraído de minério, confiscavam-se 20%, o famigerado imposto do quinto, que o povo chamava de ¿quinto dos infernos¿. Hoje, quase 40% de tudo o que os brasileiros produzem são arrecadados em impostos, são apreendidos em proveito do Fisco, são confiscados. Hoje, paga-se o dobro do quinto dos infernos ¿ disse o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, num palanque com a réplica de uma forca. ¿ A forca tem tudo a ver com o dia-a-dia do brasileiro.
Para marcar o lançamento do movimento, os empresários instalaram no Centro velho de São Paulo o Impostômetro, um painel eletrônico que vai mostrar o valor total dos impostos arrecadados por União, estados e municípios. Outro deve ser instalado em breve em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista.
No momento de sua abertura, o painel mostrava o total de impostos arrecadados desde o início do ano: R$219,712 bilhões. Também foi criado o site impostometro.org.br, que mostra, por exemplo, os impostos pagos por minuto ou segundo. Por segundo, União, estados e municípios arrecadaram, em média, R$23.131,96 no primeiro trimestre de 2005. O novo projeto é o Gastômetro, sobre os gastos totais do governo federal. O trabalho, a cargo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), deve ficar pronto em três meses.
¿ A maior dificuldade até agora é decifrar as contas públicas, entender as rubricas lançadas pelo governo ¿ afirmou o presidente da entidade, Gilberto Luiz do Amaral.
O lançamento reuniu comerciantes, Fiesp, Ciesp, OAB e agências de publicidade. Para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o aumento dos gastos públicos está na raiz da carga tributária:
¿ Temos gastos crescentes no Brasil. E como se paga essa conta? Aumentando impostos, e o dinheiro nunca dá.
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