Título: FMI: DÍVIDA PÚBLICA DO BRASIL CONTINUA FRÁGIL
Autor:
Fonte: O Globo, 26/04/2005, Economia, p. 20

BRASÍLIA. A diretora de Assuntos Fiscais do Fundo Monetário Internacional (FMI), Teresa Ter-Minassian, afirmou ontem que o Brasil tem uma dívida pública alta em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e a composição ainda é bastante frágil, mesmo tendo reduzido a parcela indexada ao dólar. A economista lembrou que uma parcela grande da dívida está indexada à taxa básica de juros Selic e sujeita às mudanças da política monetária. E que o prazo médio da dívida em mercado ainda é bastante curto.

¿ Ainda fica muito da dívida indexada à Taxa Selic, o que significa que existem vulnerabilidades a mudanças da taxa Selic por razões de política monetária. Também o prazo médio da dívida de mercado ainda é bastante curto. Tudo isso dá vulnerabilidade à dívida e restringe mais o espaço para financiar gastos com dívida adicional ¿ disse Ter-Minassian.

A parcela de títulos corrigidos pela Selic, segundo dados do Tesouro, é de 57%, enquanto a parcela de títulos atrelados ao câmbio está em 4,94%.

Ter-Minassian participou do seminário sobre ¿A Melhoria da Qualidade dos Investimentos Públicos e as Parcerias Público-Privadas¿, promovido pelo governo brasileiro e pelo FMI e defendeu o projeto-piloto negociado com o Fundo, que permitirá ao Brasil, em 2005, não considerar no cálculo do superávit primário gastos equivalentes a 0,15% do PIB.

¿ O FMI considerou que esses gastos adicionais justificariam menor superávit primário. Os gastos são adicionais, mas justificados pela qualidade dos investimentos, que vão resolver gargalos na área de infra-estrutura e vão ser monitorados com procedimentos bem rigorosos. Achamos que essa melhora de procedimentos, seja de avaliação, seja de execução de gastos, é algo importante que merece ser disseminado a outros projetos ¿ defendeu a economista.