Título: DESEMPREGO EM SP AUMENTOU EM MARÇO PELO SEGUNDO MÊS SEGUIDO
Autor: Wagner Gomes
Fonte: O Globo, 27/04/2005, Economia, p. 25

Dieese apurou taxa de 17,3%. Renda do trabalhador subiu só 0,2%

SÃO PAULO. O desemprego subiu em março na Região Metropolitana de São Paulo, pelo segundo mês consecutivo. A taxa de desemprego passou de 17,1% em fevereiro para 17,3% da População Economicamente Ativa (PEA) em março, segundo pesquisa divulgada ontem pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). O número de desempregados na região chegou a 1,715 milhão de pessoas, 28 mil a mais que em fevereiro.

A renda ficou praticamente estagnada. O rendimento real dos trabalhadores passou em fevereiro para R$1.011, alta de 0,2% em relação a janeiro. Frente a fevereiro de 2004, houve queda de 1,5%. O rendimento dos assalariados ficou em R$1.074, um aumento de 0,7% contra janeiro mas queda de 1% frente ao mesmo mês de 2004.

Foram abertas em março 15 mil vagas, pouco para as 43 mil pessoas que entraram no mercado de trabalho. Todos os setores abriram vagas, exceto o comércio, que fechou 6 mil. A indústria criou 11 mil postos, o setor de serviços, 8 mil, e a área de serviços domésticos e construção civil, 2 mil. O número de pessoas empregadas chegou a 8,196 milhões. Foram criadas 71 mil vagas com carteira assinada, mas eliminados 62 mil postos de trabalho autônomo.

Para Sinésio Pires Ferreira, diretor da Fundação Seade, o movimento no nível de desemprego foi atípico em março. Segundo ele, diferentemente de anos anteriores, a economia continuou gerando postos de trabalho. Mas as previsões para este ano não são tão animadoras. Com o crescimento menor do país, na faixa de 3%, o desemprego pode não cair tanto como em 2004.

- O primeiro trimestre foi relativamente estável e o rendimento até parou de cair, mas não dá para se esperar um crescimento do emprego na mesma proporção que 2004.

Apesar da alta, o taxa de desemprego ainda é a menor para um mês de março desde 2001. Clemente Lúcio, diretor do Dieese, acredita que a taxa pode recuar em abril, pois o volume de crédito pode ser suficiente para garantir o consumo e a produção:

- Há alta de juros, mas aumento triplicado do crédito.