Título: NORDESTE GANHA RESORTS DE OLHO NO TURISTA EUROPEU
Autor: Luciana Rodrigues e Letícia Lins
Fonte: O Globo, 01/05/2005, Economia, p. 37
Dão Sul aposta em vinho tropical no sertão de Pernambuco
Ipojuca (PE) e RIO. O potencial turístico do Nordeste atrai os investidores portugueses que estão de olho nos visitantes não só da terrinha como de toda a Europa. O diretor financeiro do grupo hoteleiro Dorisol no Brasil, Jessé Bento da Paz, explica que um novo mercado está sendo criado:
¿ Depois do tsunami e de pelo menos quatro terremotos na Ásia, os turistas europeus estão se voltando agora para a América do Sul.
Portugal, é claro, tem como vantagem a língua em comum. E o Oceano Atlântico nunca pareceu tão pequeno, agora que a TAP tem vôos diretos, diariamente, para Salvador, Recife e Fortaleza, além de uma freqüência de quatro vezes por semana para Natal.
¿ Até o fim do ano, Natal também deve ser diário. É uma ligação direta do Nordeste para a Europa. Metade dos passageiros são portugueses. E 35% são de outros países europeus ¿ afirma Mário Carvalho, diretor-geral da TAP Brasil.
Os brasileiros também são o público-alvo dos investimentos portugueses em hotelaria. No Ipojuca Beach Resort, que está sendo construído no litoral sul de Pernambuco, a expectativa é de que metade dos hóspedes venha do exterior.
¿ Nosso foco não vai ser voltado só para Portugal ¿ explica o brasileiro Agostinho Maia Arraes, o sócio minoritário do empreendimento.
US$300 mil com exportação de vinho do São Francisco
Novos resorts de grupos portugueses se espalham por vários estados do Nordeste. O Vila Galé, que já tem um hotel em Fortaleza e outro em Salvador, vai construir um resort de 200 mil metros quadrados na Praia de Guarajuba, na Bahia, num investimento de R$75 milhões. José Wahnon, diretor da rede Vila Galé no Brasil, antecipa que o grupo tem outro projeto, ainda em estudo, para um resort na Praia do Cumbuco, no Ceará, com direito a um spa e, no futuro, até campo de golfe.
Os investimentos portugueses já criam parcerias até mesmo no sertão. Em Lagoa Grande, a 665 quilômetros do Recife, o grupo pernambucano Raimundo da Fonte se uniu à vinícola portuguesa Dão Sul e à importadora Expand num projeto inovador: produzir vinhos de qualidade em latitude tropical. Foram investidos R$6 milhões em 200 hectares de vinhedos no Vale do São Francisco e as primeiras garrafas chegaram às lojas no ano passado. São de dois tipos: Rio Sol, para exportação, e Adega do Vale, para o mercado nacional.
Sérgio Fonseca, gerente de novos negócios da Expand, conta que já foram exportados US$300 mil e, este ano, o volume pode dobrar:
¿ O clima criou algo inédito: vinho de produção contínua e colheita mensal. Empregamos 150 pessoas que, antes, eram bóias-frias. (L.L. e L.R.)