Título: Crescimento brasileiro atrai empreendedores
Autor: Luciana Rodrigues e Letícia Lins
Fonte: O Globo, 01/05/2005, Economia, p. 37
Estagnação econômica de Portugal e rumos da UE direcionam atenções para os 183 milhões de consumidores do Brasil
O dinamismo da economia brasileira em 2004 e suas perspectivas de crescimento este ano tornam o país cada vez mais relevante para empresas portuguesas aqui instaladas. Afinal, é um mercado potencial de 183 milhões de consumidores, contra uma população portuguesa de apenas 10,5 milhões, num momento em que Portugal enfrenta estagnação econômica e uma menor atenção ¿ e menos doações ¿ da União Européia após a ampliação do bloco rumo ao Leste.
A Energias do Brasil, por exemplo, deve fechar 2005 representando 20% da receita bruta do grupo português EDP, contra 15% de 2004. A empresa, que tem 70% de seu capital nas mãos da EDP, vai investir ao menos R$1 bilhão este ano, dos quais R$500 milhões vão para a construção da usina hidrelétrica Peixe Angical, em Tocantins. E o diretor-presidente da empresa, António Martins da Costa, não descarta ampliar os investimentos.
¿ Estamos interessados nos leilões de energia nova. Depois de Peixe Angical, teremos mil megawatts instalados no Brasil. A intenção é dobrar essa capacidade.
Costa explica que, apesar de iniciada antes da aprovação das Parcerias Público-Privadas, Peixe Angical segue os moldes de uma PPP, com R$1,5 bilhão de investimento total, sendo 60% da Energias do Brasil e 40% da estatal Furnas.
¿ O Brasil é um mercado estratégico, tem um potencial que a Europa não oferece.
A Brisa, que assim como a EDP desembarcou no Brasil nos anos 90, também confia no mercado brasileiro. A empresa é sócia da CCR, com 18% do capital, e usa o know-how aprendido de seus parceiros brasileiros nas suas operações em Portugal e Espanha, diz o diretor de Relações com Investidores Luis D¿Eça Pinheiro. A receita da CCR cresceu 27,6% em 2004 e, este ano, a empresa deve investir R$365 milhões.