Título: Serra diz que não quer Maluf em seu palanque
Autor: Adauri Antunes Barbosa e Flávio Freire
Fonte: O Globo, 14/10/2004, O País, p. 8
O candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, José Serra, disse ontem que não aceitaria o ex-prefeito Paulo Maluf em seu palanque no segundo turno da eleição em São Paulo. Em visita ao bairro São Mateus, na Zona Leste, Serra rebateu declarações de Maluf e de integrantes do PP de que tucanos estariam por trás do vazamento de informações a respeito do indiciamento de Maluf na Polícia Federal anteontem.
¿ É uma coisa hilariante. Eu volto a repetir o que sempre digo: nem eles acreditam no que eles dizem ¿ afirmou Serra.
Foi a primeira vez ao longo da campanha eleitoral que Serra negou publicamente o interesse em ter o apoio de Maluf. Na região de São Mateus, onde ele caminhou ontem, a prefeita Marta Suplicy, candidata à reeleição pelo PT, teve o maior número de votos no primeiro turno: 53,2%, contra 28,8% de Serra. Perguntado se estaria ali para tentar alterar o placar, o tucano disse:
¿ Estou aqui para renovar as nossas propostas e idéias. Dei conta aqui que tem muita fofoca. Que as pessoas ficam dizendo mentiras para os eleitores. Quero crer que essa onda de fofoca e de falsidade deve ter também o seu papel. Estou presente justamente para esclarecer.
Já Marta se recusou a comentar um possível apoio de Maluf. Seu candidato a vice, Rui Falcão (PT), negou que a coordenação da campanha tenha procurado o ex-prefeito para pedir apoio, mas disse que todos os apoios são bem-vindos:
¿Todos os apoios que nos levarem à vitória serão aceitos sem que haja qualquer tipo de concessão de princípios.
Falcão comparou Maluf ao vice de Serra, Gilberto Kassab (PFL):
¿ Eles falam que não querem o apoio do Maluf porque ele foi indiciado. E o Kassab, que é investigado pelo Ministério Público? Ele (Serra) vai recusar o Kassab?
Marta: corpo-a-corpo no ABC
A prefeita fez ontem corpo-a-corpo com operários em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Ela disse que a classe operária apóia as administrações do PT, mas é preciso conquistar os votos dos mais ricos porque os prefeitos petistas são o caminho para que haja mais harmonia e menos violência nas cidades. Discursando em carro de som, ela atacou o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem responsabilizou pelo crescimento do desemprego.
Ao lado de Marta estavam os candidatos a prefeito do ABC que disputam o segundo turno em Diadema (José de Filippi Júnior), em Mauá (Márcio Chaves) e em Santo André (o prefeito João Avamileno foi representado por sua vice, Ivete Garcia), além do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho.
¿ A classe operária está com a gente. As pessoas que mais se beneficiam com um governo que combate a exclusão social já perceberam, já deram seus votos. Precisamos sensibilizar mais ainda essas pessoas que usufruem desses benefícios e as pessoas mais ricas, que não usam Bilhete Único, que nunca irão a CEU, que o filho não precisa de uniforme, para saber que esse é o caminho para ter harmonia na nossa cidade, uma cidade profundamente injusta, profundamente desigual ¿ disse Marta, que atacou o governo Fernando Henrique:
¿ (Em) Oito anos do governo tucano tivemos o maior desemprego da História, que afetou muito a região do ABC e a capital. Aumentou (também) a violência ¿ disse ela.