Título: TASSO E MERCADANTE POLARIZAM DEBATE
Autor: Lydia Medeiros
Fonte: O Globo, 05/05/2005, O País, p. 8
Governo e oposição trocam acusações sobre Lei de Responsabilidade Fiscal
BRASÍLIA. O aniversário da Lei de Responsabilidade Fiscal foi motivo de debate acalorado entre governo e oposição no Senado. Por mais de duas horas, o líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), tentou tourear as acusações de senadores do PFL e do PSDB, que lembravam incessantemente o voto contrário do PT à Lei de Responsabilidade Fiscal. Mercadante admitiu o voto do passado e deu parabéns aos parlamentares que apoiaram a Lei, anos atrás.
O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), chegou a cobrar retratação do colega petista. Mas Mercadante não fez nenhuma autocrítica. Ao contrário, acusou os atuais oposicionistas de terem agido com irresponsabilidade no governo Fernando Henrique, aumentando a dívida pública e a taxa de juros.
¿ Desculpas são bem vindas, mas quem deve verdadeiras desculpas sobre responsabilidade fiscal são vocês. Deviam dizer: ¿Erramos no câmbio, nos juros e deixamos herança fiscal perversa¿ ¿ disse Mercadante.
Uma briga política, não matemática
Tucanos e pefelistas se revezaram no ataque ao governo, representado quase que solitariamente por Mercadante. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) abriu o debate com discurso que relativizou o sucesso divulgado pelo governo em relação ao crescimento da economia, comparando o desempenho nacional com outros países e traçou projeções pessimistas para este ano.
¿ Não há absolutamente nada, do ponto de vista econômico, lógico e racional, que justifique o ufanismo do governo com o próprio desempenho ¿ disse Tasso.
Seguiu-se, então, uma guerra de estatísticas, entremeada por acusações de ambas as partes sobre a veracidade dos dados citados. Tasso citou números sobre os gastos públicos, a carga tributária e a contratação de funcionários para cargos em comissão, todos contestados por Mercadante. O petista se muniu de tabelas com informações oficiais, mas a briga era mesmo política, não matemática.
¿ O líder Mercadante é extremamente simpático, mas não é convincente ¿ ironizou o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
O líder José Agripino (PFL-RN) emendou:
¿ Estamos vendo uma sopa de letrinhas. Há horas estamos nos digladiando em torno de números e a sociedade espera bom senso e ações concretas.
Tasso e Virgílio sustentaram que o aumento da dívida no período Fernando Henrique foi fruto do que chamaram de ações corajosas, como a renegociação das dívidas dos estados e municípios e ainda de bancos estaduais, que estavam praticamente quebrados.