Título: Fiesp: tributação pesada e crédito caro e escasso agravam a situação do país
Autor: Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 14/10/2004, Economia, p. 24

Carga tributária elevada e falta de acesso a crédito farto e barato. Estas são as principais razões para o fraco desempenho do Brasil no novo Indicador de Competitividade (IC), divulgado ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Utilizando dados estatísticos até 2002, o país ficou na 39 colocação, numa lista de 43 países. O Brasil só foi melhor do que Indonésia, Colômbia, Argentina e Venezuela.

Os resultados referentes a 2003 deverão ser publicados nas próximas semanas, mas a entidade descarta uma mudança importante de posições na lista, que é encabeçada por Suíça, Estados Unidos e Dinamarca. O Chile aparece no 30 lugar.

`Brasil tem uma agenda diferente de problemas¿

Além de trabalhar uma amostra menor (43 contra 104 países), a sondagem da Fiesp difere da elaborada pelo Fórum Econômico Mundial por utilizar somente dados estatísticos. No total, são pesquisados 83 indicadores, que medem de variáveis macroeconômicas, como juros e investimento, a dados sobre a eficiência dos gastos realizados pelo governo.

¿ Olhando os resultados, percebe-se que o Brasil tem uma agenda de problemas diferentes de outros países. Aqui, ainda discutimos pontos como acesso ao crédito e estabilidade da economia ¿ afirmou o gerente de Competitividade Industrial da Fiesp, Renato Fernandes.

Na retrospectiva dos últimos anos, o Brasil tem mostrado pouca força para deixar as últimas posições do ranking. A base de dados da pesquisa vai até 1997, quando o país ficou em 37 lugar. Entre 1998 e 2001, oscilou entre o 36 e o 40 lugares, para estacionar na 39 posição em 2002.

De acordo com o índice da Fiesp, as exportações de produtos de alta tecnologia (aeronaves, computadores, produtos farmacêuticos e máquinas elétricas) subiram de 9,1% da pauta do comércio exterior brasileiro para 9,48% em apenas um ano, o que contribuiu para aumentar a competitividade do país. Em contrapartida, ao longo dos últimos cinco anos manteve as maiores taxas de juros e spread bancário (diferença entre o custo de captação dos bancos e o cobrado dos clientes).

Enquanto na média dos 43 países pesquisados, no indicador da Fiesp, a taxa de juros nos empréstimos é de 8,3% ao ano, no Brasil esse percentual pode chegar a 63%. Mais sintomático é o peso da carga tributária ¿ de 43,4% do PIB pela pesquisa até 2002, contra 18% na média geral da amostra.