Título: FRAUDE BILIONÁRIA: SINDICALISTA ENCABEÇOU AÇÃO POPULAR CONTRA O INSS
Autor: Chico Otavio
Fonte: O Globo, 07/05/2005, O País, p. 3

Sindicato se limitava a boicotar as investigações feitas pela força-tarefa

Sinsera foi registrado como pessoa jurídica mas não tem carta sindical

A ata de fundação do Sindicato dos Servidores da Linha de Arrecadação do INSS no Rio (Sinsera), em agosto de 2002, registra que o objetivo da entidade era buscar ¿uma representatividade autêntica comprometida com anseios, reivindicações e problemas enfrentados pela categoria representada¿. Porém, desde então, a única pauta do sindicato foi denunciar e lutar contra o que seus dirigentes chamavam de ¿caça às bruxas¿, supostamente feita pela força-tarefa que investiga a máfia da Previdência no Estado do Rio.

Vizinhos da sede do Sinsera, no Centro do Rio, contaram que o sindicato vive vazio, longe da habitual movimentação de uma entidade de classe. Na busca e apreensão feita na entidade pela Polícia Federal ontem, foram apreendidos apenas documentos de auditorias fiscais em empresas.

Em 2002, Maria Auxiliadora encabeçou uma ação popular contra o INSS e seus dirigentes para requerer a anulação de todos os processos administrativos disciplinares contra auditores fiscais do Rio de Janeiro. Ela alegou que os processos estariam causando ¿gastos injustificados¿ e ¿prejuízos ao patrimônio público¿, por mobilizar fiscais transferidos de outros lugares do Brasil para a força-tarefa.

O Sinsera foi registrado como pessoa jurídica, mas não tem carta sindical. Isso não impediu que a presidente da entidade encaminhasse denúncia à Corregedoria-Geral da União contra os integrantes da força-tarefa. No ano passado, fez parte de uma comitiva que visitou autoridades em Brasília para reclamar das investigações.

O advogado Elisio Quintino, assistente da defesa dos auditores fiscais presos e responsável pela ação popular movida por Maria Auxiliadora, disse que as investigações seriam inconsistentes:

¿ Há 16 anos, começaram a acontecer fatos estranhos contra auditores fiscais. Ações infundadas. Não nego que exista fiscal ladrão, mas o que existe no processo criminal aberto contra os auditores presos em fevereiro é de mau gosto. Parece grande brincadeira. Não existe elemento para provar nada. Há acusações repetidas de que receberam propinas, mas não existe um documento qualquer provando o pagamento.

Advogado vê briga política por trás das investigações

Elísio afirma que, para saber se houve crime, os fiscais teriam primeiro de ser processados administrativamente.

¿ Há uma briga de dois grupos políticos dentro do INSS. Para evitar que o grupo que saiu volte, começaram a acusar levianamente todos eles.