Título: EM DIREÇÃO A MECA: `ESTAMOS INICIANDO UMA NOVA ETAPA DAS RELAÇÕES ENTRE OS DOIS MUNDOS¿, DIZ MINISTRO AO ABRIR ENCONTRO
Autor: Valderez Caetano
Fonte: O Globo, 10/05/2005, O País, p. 8
Furlan: comércio com árabes dobrará em 3 anos
Meta do governo é fazer com que fluxo de negócios com esse grupo passe de US$8 bi para US$15 bi por ano
BRASÍLIA. O otimismo marcou ontem a pré-estréia ¿ a abertura oficial acontece hoje ¿ do Encontro Empresarial América do Sul-Países Árabes. Ao falar para cerca de 400 empresários e representantes dos países, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, disse que em três anos o fluxo de comércio entre o Brasil e os países árabes vai saltar de US$8 bilhões para US$15 bilhões. Segundo ele, o total de vendas e compras entre as duas regiões cresceu 50% no ano passado e tende a crescer ainda mais após o encontro.
¿ Esta iniciativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reunir no Brasil as cúpulas do mundo árabe e da América Latina é uma iniciativa estratégica. Estamos iniciando uma nova etapa das relações entre os dois mundos ¿ disse Furlan, enfatizando que nos próximos dias serão estabelecidas rotas aéreas entre o Brasil e os países árabes.
O presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Antônio Sarkis Junior, foi mais cauteloso. Ele espera que em cinco anos o fluxo de comércio salte de US$8 bilhões para US$16 bilhões. Mas a queda no preço do dólar preocupa.
¿ Nos três primeiros meses deste ano tivemos o segundo melhor resultado da História (o melhor foi no mesmo período do ano passado). Um crescimento nas exportações brasileiras de 18% e um de 11% nas importações. Mas o câmbio começa a nos preocupar¿ disse Sarkis.
Interesse em infra-estrutura
Sarkis informou que os árabes estão interessados em investimentos brasileiros nas áreas de infra-estrutura (estradas e aeroportos), usinas de álcool, entre outros. Do lado das importações, os parceiros querem aumentar as compras de máquinas e implementos agrícolas, ônibus, caminhões e equipamentos médico-hospitalares. A Argélia, segundo ele, já está contratando tecnologia da Petrobras para prospecção de petróleo em águas profundas.
Segundo Sarkis, os 22 países árabes compraram no ano passado US$240 bilhões em bens e serviços e, por isso, as importações de produtos brasileiros ainda representam um pequeno percentual.
Em contrapartida, os árabes querem aumentar as exportações de fosfato e alimentos, como azeite de oliva, frutas desidratadas, além de petróleo. Eles pretendem também investir em redes de distribuição de energia elétrica.
Já o presidente da Câmara de Comércio Brasil-Líbano, Alfredo Cotait Neto, disse que antes de fechar negócios, o objetivo do encontro é aproximar os dois blocos:
¿ Essa iniciativa põe em prática a tese da importância da ligação da nações e reproduz a liderança do Brasil no bloco da América do Sul.
Mais negócios com a Argélia
O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Márcio Fortes, disse que uma das metas do governo é aumentar as exportações para a Argélia. Segundo ele, há um forte desequilíbrio na balança comercial dos dois países em função da importação de nafta (um subproduto do petróleo). Ele informou ainda que as autoridades iraquianas estão interessadas em restabelecer relações comerciais com o Brasil, principalmente fazendo negócios com a Petrobras, a Embrapa e construtoras como a Odebrecht.