Título: BC: GOVERNO PODE TOMAR MEDIDAS CONTRA INFLAÇÃO
Autor: Deborah Berlinck
Fonte: O Globo, 09/05/2005, Economia, p. 15
BASILÉIA (Suíça). O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse ontem que se a sociedade brasileira tivesse "maior consciência" dos estragos que a inflação faz à economia do país, os custos do combate à alta de preços seriam menores - isto é, os juros cairiam mais rápido. É um erro - assegurou -- imaginar que o país pode crescer melhor com inflação. Depois de se queixar de incompreensão de "certas pessoas" - que se recusou a mencionar - Meirelles chegou a afirmar que o governo estaria estudando novas medidas de combate à inflação. Mas recuou quando jornalistas pediram detalhes.
O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu indicações nesse sentido, quando disse, em entrevista coletiva no dia 29 de abril, que havia ouvido a seguinte frase de um sábio (Ulysses Guimarães):
- Lula, nem tudo o que você pode fazer na economia, você pode avisar antes, porque se avisar, não faz - disse o presidente, depois de afirmar que juros não devem ser o único instrumento de combate à inflação. Sobre isso, o presidente do BC, que está na Basiléia participando de uma reunião de bancos centrais, reagiu assim:
- Certamente concordamos com o presidente Lula de que o trabalho de combate à inflação não é exclusividade do BC. Por exemplo, o anúncio de que o governo fixou teto para despesas públicas, teto para as receitas federais, são sinais muito importantes, que vão favorecer o trabalho da política monetária - afirmou Meirelles.
E depois deixou escapar:
- Existem muitas coisas que já estão sendo feitas e poderão ser anunciadas. O importante é que o presidente deixou muito claro que o caminho para o Brasil não é ficar apenas se preocupando com taxa de juros, que é um dado da realidade.
Quando jornalistas quiseram saber que medidas são essas, ele disse que não havia nada de novo sendo estudado. Meirelles insistiu que é preciso agora que se criem as condições para que a inflação caia e para que as taxas de juros no longo prazo também cedam. E foi aí que cobrou maior compreensão na luta contra a inflação. Sem citar nomes, criticou duramente os que defendem uma política monetária mais frouxa - isto é, um pouco mais de inflação, para permitir o país crescer mais. Isso, segundo ele, "é um erro" histórico.
- Existe ainda na mente de algumas pessoas, a idéia de que inflação maior, pode permitir maior crescimento. Isso é um erro que já foi cometido no Brasil várias vezes. Não existe país que tenha crescido com inflação alta - disse Meirelles, alertando que por este caminho o ajuste sempre ocorre mais tarde, de forma descontrolada.
Quando uma jornalista perguntou se também havia na História um país que continuou crescendo com taxas de juros subindo sem parar, ele respondeu que as taxas "caíram muito" no Brasil e disse que olhar só para a evolução das últimas variações era "visão de muito curto prazo".
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Meirelles cobra apoio
BASILÉIA (Suíça). O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse ontem que as projeções indicam que a economia brasileira está convergindo em direção à meta de 5,1% de inflação. Mas não quis dizer quando acha que ela será atingida.
Meirelles também cobrou maior apoio da sociedade no combate à inflação. Ele explicou que isso facilitaria muito o trabalho do BC, porque no momento em que todos acreditarem que o país vai cumprir a meta de inflação, isso iria gerar taxas de juros menores. (Deborah Berlinck)