Título: BENTO XVI PEDE RESPONSABILIDADE À IMPRENSA
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Fonte: O Globo, 09/05/2005, O Mundo, p. 21
No dia da comunicação social, Papa diz que jornalistas devem trabalhar em prol da dignidade e do bem comum
CIDADE DO VATICANO. O Papa Bento XVI falou ontem sobre o papel de destaque da imprensa no mundo atual, afirmando que a mídia pode tanto favorecer o diálogo quanto fomentar a violência. Em sua mensagem dominical diante de milhares de fiéis na Praça de São Pedro, o Papa pediu empenho aos meios de comunicação de massa para promover a paz e exortou jornalistas "a mostrar responsabilidade para garantir um trabalho objetivo em prol da dignidade humana e do bem comum".
No dia mundial da comunicação social - cujo tema é "Os meios de comunicação a serviço da compreensão entre os povos" - Bento XVI elogiou o trabalho dos jornalistas pelo que chamou de "extraordinária" cobertura da morte e dos funerais de João Paulo II.
- Na época da imagem, os meios de comunicação constituem um recurso extraordinário para promover a solidariedade e a harmonia da família - disse o Pontífice.
Pontífice quer manter diálogo com judeus
Mesmo destacando a importância e os benefícios dos meios de comunicação, Bento XVI disse que a mídia pode até estimular a violência.
- Tudo depende da forma como é usada. É necessário que cada um cumpra com o seu dever. As importantes ferramentas de comunicação podem favorecer o conhecimento e o diálogo recíproco ou, pelo contrário, alimentar os prejuízos e o desdém entre os indivíduos - disse.
Seguindo uma tradição de seu antecessor, Bento XVI abençoou os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro. A mensagem dirigida aos meios de comunicação foi semelhante a outra transmitida pelo Papa, em 23 abril, durante encontro com jornalistas em sua primeira audiência pública depois de eleito. Na ocasião, ele lembrou aos representantes da imprensa sua responsabilidade ética, estimulou a busca da verdade e a defesa da dignidade humana. João Paulo II fez declarações semelhantes durante seu pontificado.
Bento XVI apareceu de surpresa na janela de seu apartamento para saudar os fiéis e aproveitou para dar parabéns pelo Dia das Mães. Ele pediu a proteção de Maria para a Igreja.
Ele também manifestou por escrito seu desejo de manter o diálogo com o rabino emérito de Roma, Elio Toaff, e agradeceu suas boas relações com a Santa Sé.
Em mensagem de parabéns pelos 90 anos de Toaff, o Papa renovou o compromisso de continuar o diálogo com os judeus, "olhando para o futuro com confiança". O Pontífice lembrou os estreitos laços que Toaff (quando era o rabino chefe) manteve com João Paulo II. E se referiu à histórica visita que Karol Wojtyla fez à sinagoga de Roma em 1986. Foi a primeira vez que um Papa entrou num templo judeu.
O ex-rabino chefe de Roma é uma das figuras religiosas mais relevantes e respeitadas da Itália e uma das poucas pessoas cujo nome aparecia expressamente no testamento de João Paulo II.