Título: Venda do comércio volta a subir em março
Autor: Vagner Ricardo
Fonte: O Globo, 13/05/2005, Economia, p. 23
Alta foi de 1,75% sobre fevereiro e de 8,61% sobre o mesmo período do ano passado
As vendas do comércio varejista voltaram a crescer em março: subiram 1,75% sobre fevereiro (livre de influências sazonais) e 8,61% perante o mesmo mês do ano passado, informou ontem o IBGE. O desempenho superou a expectativa de parte do mercado ¿ na média, esperava-se alta de 4,5% no comparativo entre março de 2005 e março de 2004 ¿ e dividiu opiniões de economistas:
¿ O resultado veio muito acima da expectativa, mostrou uma demanda ainda forte de bens de consumo duráveis e pode, dependendo de outros fatores avaliados pelo BC, contribuir para uma nova elevação da Selic¿ admitiu a economista Giovanna Rocca, do Unibanco, à espera de uma alta de 0,25 ponto percentual.
¿ Este avanço é eventual e pode ser explicado por alguma recuperação residual do poder de compra dos salários em razão da queda do dólar. Afinal, o dólar e o salário ficam sempre em lados contrários na balança. Mas a economia continua desacelerando por causa da alta dos juros básicos ¿ garantiu o economista Joaquim Eloi Cirne de Toledo, professor da USP, para quem a Selic não precisa mais subir.
A receita nominal do comércio varejista subiu acima das vendas. Na margem (março sobre fevereiro), foi de 2,44% e de 16,11% (sobre março de 2004), o que significa que os preços têm aumentado, pressionam a inflação, podendo exigir nova alta dos juros básicos este mês, diz relatório do Banco Bradesco.
No ano, as vendas cresceram 5,87% e 8,85% nos últimos 12 meses. O economista Reinaldo da Silva Pereira, do IBGE, explicou que a recuperação de março deveu-se a vários fatores. A Páscoa, que este ano aconteceu em março, influiu positivamente no resultado mensal, puxando a reação nas vendas no grupo hipermercados, supermercados e produtos alimentícios (10,94% no comparativo março de 2005/2004) e no de outros artigos de uso pessoal e doméstico (+27,60%), onde estão as lojas de departamento. Também as vendas de móveis e eletrodomésticos permaneceram aquecidas pela grande oferta de crédito e pela ampliação de prazos de financiamento.