Título: Dólar sobe 1,16%, a maior alta desde maio
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Fonte: O Globo, 15/10/2004, Economia, p. 29
O novo recorde das cotações internacionais do petróleo pesou sobre o mercado financeiro brasileiro, que registrou nova rodada de perdas nos negócios de ontem. O anúncio do reajuste dos preços dos combustíveis pela Petrobras ficou abaixo do esperado e contribuiu para os resultados negativos. O dólar comercial fechou a R$ 2,873, com valorização de 1,16%, a maior alta percentual da moeda em um único dia desde 31 de maio.
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 1,42%, acompanhando movimento semelhante no mercado americano, onde os índices Dow Jones e Nasdaq caíram 1,08% e 0,91%, respectivamente. O reajuste de combustíveis considerado baixo levou os investidores a especularem sobre a possibilidade de influência política na decisão, o que gerou volatilidade nas cotações. As ações preferenciais (PN) da Petrobras caíram 0,7%.
¿ A queda da Bolsa resultou de vários fatores, como a alta do petróleo e o reajuste dos combustíveis no Brasil. Mas o mercado continuou cedendo a pressões sobre ações específicas, como as de siderurgia e mineração, resultado do relatório do JP Morgan distribuído esta semana ¿ disse Sussumo Assai, da corretora Itaú.
Segundo vários operadores, os investidores externos se destacaram na venda de ações. Os estrangeiros retiraram o equivalente a R$ 627,771 milhões da bolsa nos oito primeiros dias de outubro, conforme dados divulgados pela Bovespa. Com isso, o saldo estrangeiro acumulado do ano foi invertido e agora está negativo em R$ 90,556 milhões.
A Bolsa ressalva que a saída de recursos em outubro reflete principalmente a participação dos investidores estrangeiros como vendedores no leilão de Oferta Pública de Aquisição (OPA) de ações da CRT Celular, Tele Leste Celular, Tele Sudeste Celular e Tele Centro-Oeste Celular, que movimentou R$ 1,509 bilhão na última sexta-feira.
Risco-país tem alta de 5,53% e C-Bond cai 1,12%
O C-Bond, título da dívida mais negociado no exterior, teve queda de 1,12%, a 98,50% do seu valor de face. O risco-país disparou 5,53%, aos 477 pontos centesimais.
Já as projeções dos juros tiveram alta na Bolsa de Mercadorias & Futuros. Para analistas, o impacto do reajuste da Petrobras na inflação será pequeno, o que evitou um sobressalto maior nas previsões. A taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) de abril, o mais negociado, fechou a 17,25% ao ano, contra 17,18% do dia anterior. A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para decidir sobre os juros básicos (Selic) será nos dias 19 e 20.