Título: LUCRO DE BANCOS CRESCE 47,4% NO 1º TRIMESTRE
Autor: Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 13/05/2005, Economia, p. 27

Ganhos das quatro maiores instituições bancárias privadas do país somou mais de R$3 bilhões no período

SÃO PAULO. Embalados pela expansão dos empréstimos, os quatro maiores bancos privados do país aumentaram em 47,4% seu lucro líquido no primeiro trimestre deste ano. Um compilação da consultoria Austin Rating mostra que Bradesco, Itaú, Unibanco e Banespa ganharam juntos R$3,078 bilhões, contra R$2,088 bilhões de janeiro a março de 2004. O Unibanco, que divulgou ontem seu balanço, lucrou R$401,2 milhões, 45,3% a mais.

As receitas com operações de crédito dos quatro bancos somaram R$9,727 bilhões no primeiro trimestre, com alta de 24,3%. E, a despeito das altas taxas de juros, as indicações são de que a demanda não deve ceder tão cedo. O Unibanco reviu de 25% para até 27% a previsão de alta este ano dos financiamentos a pessoas físicas, em que os spreads (taxa de risco) podem chegar a 40% ao ano.

¿ Não percebemos qualquer desaceleração na demanda ¿ afirmou o vice-presidente corporativo do Unibanco, Geraldo Travaglia.

Lucro de empresas abertas subiu 55,1% no trimestre

A estimativa está de acordo com a projeção das demais instituições, ainda que um possível desaquecimento da economia possa afetar a médio prazo a geração de empregos e o aumento da renda dos consumidores. Diante do risco de alta da inadimplência, o Unibanco manteve em R$343 milhões o volume de provisões excedentes (acima do mínimo exigido pelo Banco Central) para os chamados créditos podres.

A consultoria Economática avaliou o balanço de 80 companhias de capital aberto, que somaram um faturamento de R$77,359 bilhões no primeiro trimestre, com aumento de 15,2% em relação a 2004. Mais expressiva foi a variação de 55,1% no lucro: de R$4,718 bilhões para R$7,318 bilhões.

Esses resultados foram puxados pelos setores exportadores. Também houve um efeito positivo da desvalorização do dólar frente ao real, abrindo espaço para que as empresas abatessem parte das dívidas em moeda estrangeira. Pelos dados da Economática, a dívida financeira total caiu 7,4%, somando R$113,1 bilhões.

Juro afeta empresas voltadas para mercado interno

O impacto das sucessivas altas de juros ainda não chegou ao balanços das empresas não-financeiras, mas há quem afirme que os excepcionais resultados de 2004 não devem ser repetidos nos próximos meses. O aviso é do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Depois de medir o desempenho de 19 empresas de cinco setores, a entidade afirma que o impacto da elevação dos juros já começou a derrubar os resultados das empresas voltadas para o mercado interno.

¿ As indicações disponíveis sugerem que já não é generalizado o excepcional desempenho de 2004 ¿ disse o diretor-executivo do Iedi, Júlio de Almeida.