Título: Garotinho: `Não há risco de não ser candidato¿
Autor: Anselmo Carvalho Pinto
Fonte: O Globo, 14/05/2005, O País, p. 10
CONDENAÇÃO POR CLIENTELISMO: PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO AFIRMA QUE PROGRAMAS SOCIAIS NÃO TÊM FIM ELEITORAL Secretário ataca juíza e diz que sentença não atrapalha seus planos eleitorais; Rosinha considera decisão insensata
CUIABÁ (MT) e RIO. O presidente estadual do PMDB, Anthony Garotinho, disse ontem, em Cuiabá, que espera derrubar no Tribunal Regional Eleitoral a sentença da juíza Denise Appolinária dos Reis Oliveira, que o tornou inelegível por três anos, juntamente com sua mulher, a governadora Rosinha Garotinho. Garotinho considerou ¿sem sentido¿ a decisão e disse que isso não vai atrapalhar seus planos de disputar a Presidência da República em 2006. O ex-governador foi informado da sentença antes de uma reunião com líderes do PMDB em Mato Grosso. Ele foi pedir apoio para a sua candidatura à Presidência:
¿ Não há risco de eu não ser candidato ano que vem.
Para governadora, medida é despropositada
No Rio, a governadora Rosinha Garotinho divulgou nota na qual considera insensata a decisão da juíza:
¿ A decisão tomada agora é despropositada e, com certeza, será revogada pelo Tribunal Regional Eleitoral.
Garotinho disse que esperava a decisão porque, segundo ele, a juíza estaria perseguindo seu candidato em Campos e tinha ¿muita ligação¿ com o prefeito Carlos Alberto Campista (PDT) ¿ adversário de seu candidato na cidade, Geraldo Pudim (PMDB). Campista e Pudim também foram punidos.
¿ Não podendo cassar somente Campista, ela achou um jeito de cassar todo mundo, envolvendo a mim e a (governadora) Rosinha de uma forma totalmente sem sentido.
O ex-governador disse que não usou a máquina pública durante a campanha eleitoral:
¿ O programa do Cheque Cidadão existe no Rio de Janeiro desde 1999. Por que só agora falam em uso eleitoral? O mesmo a gente pode dizer do Restaurante Popular, outra acusação deles, que existe há muitos anos.
Garotinho disse não acreditar que sua inelegibilidade tenha como pano de fundo o interesse de adversários em prejudicar sua candidatura à presidência. Para Garotinho, esta é uma questão regional.
Durante o encontro em Cuiabá, o ex-governador discursou como candidato à presidência. Falando para 300 correligionários, disse que um partido como o PMDB, que tem cerca de mil prefeitos e seis governadores, não pode se ¿apequenar¿.
¿ Devemos, sim, ter candidato a presidente da República. E em tendo este candidato, eu reafirmou o interesse em sê-lo ¿ disse Garotinho para os peemedebistas de Cuiabá.
Procuradoria: programas sociais têm amparo legal
A Procuradoria-Geral do Estado divulgou nota informando que vai recorrer da decisão ao TRE. A ação será impetrada no início da próxima semana. O procurador-geral do estado, Francesco Conte, disse que os programas sociais do governo citados na decisão da juíza têm amparo legal:
¿ As ações não foram implantadas com fins meramente eleitorais. Muito ao contrário, têm por objetivo o exercício de competências constitucionais atribuídas ao estado.