Título: PROSTITUIÇÃO É FORMA MAIS LUCRATIVA DE EXPLORAÇÃO
Autor: Demétrio Weber
Fonte: O Globo, 12/05/2005, O País, p. 12

Rendimento médio chega a US$67.200 por ano, contra US$30.154 em outros trabalhos

BRASÍLIA. A prostituição é a forma mais lucrativa de exploração do trabalho escravo no mundo, mostra o relatório da Organização Internacional do Trabalho. O rendimento médio alcançado por uma trabalhadora vítima de exploração sexual nos países desenvolvidos é de US$67.200 por ano contra US$30.154 nas demais atividades econômicas. Essa diferença ultrapassa 500% na América Latina e Caribe, onde uma prostituta rende US$18.200 por ano, em média, contra US$3.570 das demais profissões.

Os valores se referem a prostitutas vítimas do tráfico internacional e incluem, além dos ganhos dos intermediários com a imigração ilegal, o rendimento obtido a partir da prostituição propriamente dita. O problema é essencialmente feminino: 98% das vítimas são mulheres.

Relatório diz máfia controla tráfico de pessoas

¿O mundo da prostituição está controlado por uma máfia muito bem organizada e é o centro do tráfico de seres humanos¿, diz o relatório ¿Uma aliança global contra o trabalho forçado¿. Nos países industrializados, 55% das vítimas do tráfico são submetidas a exploração sexual comercial.

A história é sempre parecida: mulheres são recrutadas para trabalhar no exterior sem saber que seu destino será a prostituição. Só descobrem isso ao chegar a um país estranho, sem dinheiro e com o passaporte na mão de quem as contratou. "São muitos os casos de violência extrema, seqüestros, privação de comida e enclausuramento das vítimas", diz o relatório.

"Nos países da extinta União Soviética, a diferença de rendimento das prostitutas supera em quase dez vezes o de trabalhadores de outras profissões. Enquanto a exploração comercial do sexo rende em média US$23.500 por ano, os demais trabalhadores geram US$2.353¿, diz o relatório.

¿ É aí que os grandes lucros são realizados ¿ disse o coordenador mundial dos programas de combate ao trabalho escravo da OIT, Roger Plant, em vídeo apresentado no lançamento do estudo ontem em Brasília.

Segundo o relatório, Albânia, Moldávia, Romênia e Ucrânia são países fornecedores de trabalhadores, não necessariamente prostitutas, por meio do tráfico ilegal na Europa. Entre as demais atividades desempenhadas pelas vítimas do tráfico, estão empregos na agricultura e construção civil. Segundo o relatório, o ganho médio do conjunto de trabalhadores traficados é de cerca de US$13 mil por ano ou US$1.100 por mês, bem menos do que o rendimento ligado à prostituição. (D.W.)