Título: Os debates e os números
Autor:
Fonte: O Globo, 15/10/2004, O mundo, p. 34
Os debates presidenciais televisionados nos Estados Unidos começaram em 1960 e demonstram um impacto substancial na popularidade dos candidatos. Mas a História mostra que tudo pode acontecer.
1960: O vice-presidente republicano Richard Nixon, que enfrentou o jovem senador John Kennedy, tinha 47% das intenções de voto antes dos debates e 48% ao final. Mas viu seu oponente subir de 46% para 49%, tornando-se mais conhecido nacionalmente. Kennedy venceu por uma diferença de apenas cem mil votos.
1976: O candidato democrata Jimmy Carter viu sua popularidade cair de 51% para 49% após debater com o presidente Gerald Ford, que subiu de 36% para 44%. Mesmo assim, Carter ganhou com 50%, Ford ficou com 48%.
1980: O mesmo Carter viu a situação se inverter ao enfrentar o republicano Ronald Reagan. A popularidade do democrata caiu de 45% pra 43%, enquanto a do oponente subiu de 42% para 46%. Reagan teve uma vitória por ampla margem: 51% a 41% dos votos.
1992: Foi uma campanha peculiar, com três participantes: o republicano George Bush (pai), o democrata Bill Clinton e o independente Ross Perot. Os índices de Clinton baixaram de 51% para 44%; os de Bush subiram de 33% para 35%; e os de Perot de 10% para 15%. No final, Clinton venceu com 43%; Bush recebeu 38% dos votos; e Perot, 19%.
2000: Os três debates foram ruins para o democrata Al Gore, que baixou de 46% para 40%, enquanto George W. Bush subiu de 44% para 51%. Mas na confusa eleição, que foi parar na Suprema Corte, cada candidato obteve 48% dos votos.