Título: MEIRELLES ENVIA AO STF DEFESA ANTECIPADA
Autor: Carolina Brígido
Fonte: O Globo, 12/05/2005, Economia, p. 27

Supremo, porém, deve abrir inquérito contra presidente do BC

BRASÍLIA. Na tentativa de escapar de um inquérito criminal, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma defesa antecipada na qual tenta se desvincular de empresas pelas quais, segundo suspeitas levantadas pelo Ministério Público, teria cometido irregularidades financeiras. São elas a Boston Comercial e Participações Ltda. e a offshore Biscay Trading Limited. No documento, os advogados de Meirelles argumentam que ele não tem relações - quaisquer ou significativas - com as empresas que teriam cometido as ilegalidades.

O esforço pode ter sido em vão. O ministro Marco Aurélio Mello, relator do caso no STF, deverá determinar a abertura do inquérito hoje, conforme pedido do procurador-geral da República, Claudio Fonteles, que pede diligências para apurar se Meirelles cometeu crime eleitoral, contra o sistema financeiro e de sonegação fiscal.

Meirelles não tinha relação com empresas, afirma defesa

Para os advogados, Meirelles não pode ser investigado por uma remessa supostamente ilegal feita pela Boston para seu controlador, o BankBoston, do qual o presidente do BC era o principal executivo. A remessa, de R$1,4 bilhão, foi feita entre junho de 1998 e fevereiro de 1999. Segundo a defesa, Meirelles era acionista minoritário da empresa e não participava de sua administração. Por isso, não poderia ser responsabilizado pela suposta ilegalidade.

Também foram rebatidas as suspeitas de que o presidente do BC teria utilizado a offshore Biscay para remeter ilegalmente ao Brasil US$50 mil. Os advogados explicaram que a empresa prestou um serviço a Meirelles e o dinheiro foi depositado por ele na conta corrente indicada pelo fornecedor, sem saber que esta pertencia a doleiros.

Marco Aurélio Mello disse que divulgará hoje sua decisão de abrir ou não o inquérito.