Título: PETROBRAS LUCRA R$5 BILHÕES NO 1º TRIMESTRE
Autor: Juliana Rangel
Fonte: O Globo, 14/05/2005, Economia, p. 31
Companhia revisa para baixo balanço de 2004 e anuncia aumento de 32% no ganho deste ano
A Petrobras anunciou ontem um lucro líquido de R$5 bilhões no primeiro trimestre deste ano, o maior resultado entre as companhias de capital aberto do Brasil para o período em 2005. A estatal também revisou para baixo o lucro registrado no primeiro trimestre de 2004, de R$3,972 bilhões para R$3,793 bilhões, alegando novas exigências contábeis da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Com a revisão, o crescimento trimestral do resultado da empresa entre 2004 e 2005 passa de 26% para 32%, mas o lucro anunciado de R$17,861 bilhões no ano passado poderá cair. O diretor financeiro e de relações com investidores, José Sergio Gabrielli, explicará as mudanças na segunda-feira.
Reajustes do ano passado impulsionaram ganhos
De acordo com analistas, o resultado foi beneficiado pelos reajustes de preços da gasolina e do diesel anunciados no fim do ano passado. Também contou positivamente o aumento de 49% dos preços do petróleo no mercado internacional entre os dois trimestres, que elevou as receitas com exportações, que superaram as importações em 28 mil barris por dia.
A receita líquida da empresa foi de R$28,917 bilhões no primeiro trimestre de 2005, com aumento de 22% frente a 2004. Já a geração operacional de caixa cresceu 23% na mesma comparação, para R$10,448 bilhões.
O diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, Adriano Pires, destacou o aumento de 4% da produção da Petrobras no primeiro trimestre de 2005, que ficou em uma média diária de 2,071 milhão de barris:
- A desvalorização do dólar no período também influenciou positivamente o resultado, já que praticamente anulou a defasagem entre os preços cobrados no Brasil e no mercado internacional.
Custos de refino e de extração subiram
Para Luiz Caetano, analista do banco Brascan, o resultado foi muito bom, apesar dos aumentos dos custos de refino (49%) e de extração (39%, incluindo o pagamento de participações governamentais). A pressão sobre os preços, explicou, pode ser justificada pelo aumento das cotações do petróleo no cenário externo, que inflacionou toda a cadeia de serviços.
- Ainda assim, a empresa teve um bom ganho de margem bruta, provavelmente em função da redução de 83% nas importações de petróleo e derivados no confronto com 2004 - observou Luiz Caetano.
Essa redução, segundo o analista, pode ser explicada pelo aumento da participação do petróleo nacional na carga processada nas refinarias da Petrobras.