Título: PTB é um dos partidos com mais cargos importantes no governo Lula
Autor: Ilimar Franco
Fonte: O Globo, 17/05/2005, O País, p. 4

Além dos Correios, partido tem indicados na Eletronorte, na Embratur e na BR

BRASÍLIA. Envolvido na denúncia de corrupção na Empresa de Correios e Telégrafos, o diretor de Administração da empresa, Antonio Osório Batista, também indicado pelo PTB para o cargo, pediu oficialmente ontem afastamento temporário de suas funções. O ex-diretor do Departamento de Contratação e Administração de Materiais Maurício Marinho, flagrado recebendo propina de empresários, foi afastado semana passada. E a nomeação de um terceiro nome indicado pelo PTB para os Correios, o de Ezequiel Ferreira de Souza para o cargo de diretor de Tecnologia dos Correios, está suspensa, pelo menos por enquanto, segundo informações de fonte do governo.

O PTB, como um dos principais aliados do governo Lula no Congresso, conquistou cargos importantes na administração direta e em empresas estatais. De acordo com levantamento feito pelo GLOBO em março deste ano, em sete órgãos federais que têm representação nos estados, o PT ocupava 64,9% destes cargos e os aliados, 35,1% deles. O PMDB e o PL são os aliados que mais espaço ocupam neste universo de cargos ¿ cada um deles fez a indicação de 11,2% das nomeações. O PTB é responsável por 5% das nomeações pesquisadas.

Diretor se defendeu numa carta

O partido ocupa cargos de peso no governo. Entre estes destacam-se o presidente da Eletronorte, Roberto Salmeron, o diretor de Administração e Finanças da Embratur, Emerson Palmieri, o diretor de Operações e Logística da BR Distribuidora, Fernando Cunha, e o diretor Financeiro da Transpetro, Antônio Gaudêncio Neto.

Além destes, o PTB tem postos federais nos estados, cargos para os quais as nomeações são feitas por indicação de deputados e senadores dos partidos governistas. Entre estes estão a superintendência dos Correios no Piauí; as delegacias regionais do Trabalho do Rio de Janeiro e do Paraná; as coordenadorias da Funasa no Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins; e as delegacias federais da Agricultura em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Amapá.

Osório, que abriu mão de seu sigilo bancário e fiscal, se defende numa carta: ¿Nunca recebi nada, a qualquer título, de quem quer que seja.¿

COLABOROU Cristiane Jungblut