Título: EMPREGO NA INDÚSTRIA RECUOU 0,2%
Autor: Fabiana Ribeiro
Fonte: O Globo, 17/05/2005, Economia, p. 20

Segundo IBGE, índice de março pode ser sinal de desaceleração do setor

O emprego na indústria registrou em março um leve recuo sobre fevereiro, de 0,2%, segundo a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário, divulgada ontem pelo IBGE. Em fevereiro, a taxa já tinha caído 0,2% em relação a janeiro. Pode ser um sinal de desaceleração na indústria, explicou Fernando Abritta, economista do IBGE. Já o salário subiu pelo quarto mês consecutivo: o valor real da folha de pagamento teve alta de 1,4% em março e cresceu em 13 das 14 regiões pesquisadas pelo IBGE.

- A indústria como um todo está passando por um momento de desaceleração. Os setores têxtil, de calçados, madeiras e de produtos químicos, por exemplo, já estiveram em melhores fases - afirmou o economista Aloísio Campelo, da Fundação Getúlio Vargas.

Para Abritta, apesar da queda, o quadro aponta estabilidade no emprego na indústria. Ele acrescentou que a alta na remuneração foi causada pelo pagamentos de férias, bônus e participação de lucros.

Na comparação com março de 2004, o emprego cresceu 2,2% - a décima-terceira taxa positiva consecutiva nesse indicador. A alta foi resultado, segundo a Pimes, de admissões verificadas em 11 dos 14 locais, e em 11 dos 18 segmentos pesquisados pelo IBGE. Destaques para São Paulo (2,2%), Minas Gerais (4,9%) e região Norte e Centro-Oeste (6,0%).

O economista Marcelo de Ávila, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, diz que, em alguns meses, a pequena desaceleração registrada no mês de março pode se intensificar.

- Afinal, há de se sentir os efeitos de uma economia desacelerada devido ao aperto monetário.

Horas pagas cresceram no mês de março

Segundo o IBGE, o número de horas pagas pela indústria - 1% de fevereiro para março, mas cresceu 1,5% em relação a março de 2004.

- Não acredito que as perspectivas da indústria sejam negativas - concluiu Campelo, da FGV. - É claro que o desempenho de março a outubro do ano passado dificilmente se repetirá esse ano

inclui quadro: os números da pesquisa