Título: NEM CUBA, NEM VENEZUELA
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Fonte: O Globo, 18/05/2005, O Mundo, p. 32
EUA pretendem enviar Posada para um terceiro país
WASHINGTON. A perspectiva é de que o cubano Luis Posada Carriles obtenha refúgio num terceiro país. O governo dos EUA não pretende mantê-lo em seu território, por se tratar de um notório terrorista. E está determinado a não enviá-lo a Cuba, por saber que lá ele seria fuzilado imediatamente. Deportá-lo para a Venezuela, que pediu sua extradição, também está praticamente fora de cogitação, pois o governo de Hugo Chávez poderia enviá-lo a Cuba, segundo fontes tanto do Departamento de Segurança Interna (DHS na sigla em inglês) quanto do Departamento de Estado.
- A tendência é tomar a iniciativa que vinha sendo planejada caso ele mantivesse o pedido de asilo: conseguir outro país que lhe dê abrigo Ö- confidenciou um funcionário do DHS.
Uma decisão terá de ser tomada até amanhã, de acordo com o prazo previsto em lei. Seu embarque, no entanto, poderá demorar dias ou até meses, dependendo da logística. Enquanto isso, Posada permanecerá preso.
Seu velho amigo, o empresário cubano residente em Miami Santiago Alvarez - que providenciara um esconderijo para ele desde sua chegada, em março - afirmou que Posada instruíra seu advogado a retirar o pedido de asilo e se preparava para partir quando foi detido por agentes do DHS. Até então, e apesar do pedido de asilo, as autoridades americanas diziam não saber de sua presença no país, embora tivessem agendado uma audiência com ele ontem, para discutir o pedido de asilo.
Era evidente o mal-estar no DHS devido à presença de Posada em território americano. Afinal, autoridades têm insistido que as fronteiras estão mais seguras. Seu nome constava de uma lista de pessoas indesejáveis, devido a seus atos terroristas. E ainda assim ele entrara clandestinamente pela fronteira com o México, na cidade de Brownsville, Texas, segundo sua própria versão. Posada contou ao "Miami Herald" que embarcou num carro com um "coiote" (contrabandista de pessoas), e seguiu até Houston, onde tomou um ônibus para Miami. Em Fort Lauderdale, a cerca de 80 quilômetros de seu destino, o ônibus foi abordado por agentes da imigração.
"O agente pediu meus documentos e eu lhe disse que tinha deixado em casa. Ele então me perguntou se eu não sabia que tinha de andar com os documentos o tempo todo, e eu lhe disse: 'Tenho 80 anos e me esqueço das coisas. Agora mesmo não me lembro nem para onde estou indo", contou Posada, acrescentando que o guarda o liberou.
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