Título: AMEAÇA DE CRESCIMENTO MENOR ATÉ EM 2006
Autor: Enio Vieira, Patricia Eloy e Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 19/05/2005, Economia, p. 23

Economistas prevêem impacto sobre expansão do país e investimentos

Para economistas, o novo aperto monetário do BC já põe em risco as projeções de expansão do país também para 2006 e representa uma ameaça ao crescimento sustentado da economia brasileira.

- O tão falado crescimento sustentado está virando história. É impossível pensar nisso com um juro real superior a 13%. Em 2005, a expansão econômica não deve chegar a 3%, ante 5,2% do ano passado. E, em 2006, a taxa deve ser mais baixa que a deste ano, um efeito colateral do juro alto - afirma Joaquim Elói Cirne de Toledo, da USP.

Na opinião do economista Antonio Licha, do Grupo de Conjuntura da UFRJ, a nova alta da Selic vai aprofundar a tendência de desaceleração da taxa de investimento no país, com efeitos no crescimento futuro. Mas os efeitos devem ser marginais sobre os demais indicadores, como o ritmo de consumo. Licha condenou a nova alta:

- Eles só olharam para o presente. Se olhassem para o futuro, veriam que a inflação terá drástica redução no atacado a curto prazo, o que provocará desaceleração do índice geral e mostrará que a nova alta era desnecessária.

O diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Gomes de Almeida, enfatizou que a produção industrial e o nível de emprego estão estáveis, como queria o BC. Além disso, disse que a nova alta pode levar a economia a um ciclo recessivo, se não houver uma guinada na política monetária. Ele ainda mantém a previsão de avanço do PIB de 3% a 3,5% do PIB este ano, pois acredita numa trajetória de queda, em breve, dos juros, e há um cenário externo favorável.

Alex Agostini, da GRC Visão, vai esperar os dados de crescimento do PIB no trimestre antes de rever projeções. Mas diz que a tendência é de as estimativas de expansão recuarem de 3,5% para 3% este ano. (Patricia Eloy e Vagner Ricardo)