Título: PALOCCI: TAXA DEVE CAIR ESTE ANO
Autor: Enio Vieira, Patricia Eloy e Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 19/05/2005, Economia, p. 23

A jornal britânico, ministro afirma que pior da inflação já passou

LONDRES e RIO. O governo brasileiro deve relaxar sua política monetária ainda este ano, disse o ministro de Finanças, Antonio Palocci, ao jornal britânico "Financial Times" ("FT"), em entrevista publicada ontem. Ele também deu a entender que o governo vai manter metas rígidas de inflação até 2007.

"O cenário é que a política de taxa de juros vai se tornar menos restritiva este ano", disse Palocci ao "FT". Ao ser perguntado se a taxa básica (Selic) cairia em 2005, o ministro respondeu: "Esta é a perspectiva".

Palocci sugeriu que o pior da inflação pode ter passado. "A política monetária está fazendo efeito", disse ao "FT". E, mesmo reconhecendo que a política de crédito do governo, com empréstimos com desconto em folha, contribuiu de início para uma pressão inflacionária, o ministro disse que a médio e longo prazos ela é boa para a economia. "É um processo saudável".

Com relação às metas de inflação (5,1% este ano, com tolerância até 7%), Palocci disse que o governo não deve relaxá-las antes de 2007. Dentro do próprio PT, há quem defenda uma tolerância maior, segundo o "FT". "Eu não me identifico com os que acreditam que um pouco mais de inflação traz um pouco mais de crescimento. No caso do Brasil, essa teoria nunca funcionou".

As declarações de Palocci animaram os investidores no mercado brasileiro. A perspectiva de queda da Selic ainda este ano, a queda de 2,47% na cotação do barril do petróleo do tipo Brent (para US$48,15) e o recuo da inflação no Brasil e nos EUA fizeram o dólar interromper quatro altas consecutivas e a Bolsa subir 1,99%. A moeda americana encerrou os negócios cotada a R$2,460, em queda de 0,89%, perto da mínima do dia (R$2,458). O risco-Brasil caiu 2,64%, para 443 pontos centesimais, e o Global 40, título mais negociado da dívida externa brasileira, subiu 1,36%. Os juros futuros projetados pelos contratos mais negociados, com vencimento em janeiro, recuaram de 19,44% para 19,39% ao ano.