Título: FUNCIONÁRIO `WORKAHOLIC¿ ESTÁ FORA DE MODA
Autor: Mirelle de França
Fonte: O Globo, 22/05/2005, Economia, p. 35
Livro `Cérebro emocional¿ mostra que executivos estão mais sujeitos a doenças modernas, preocupando empresas
A globalização trouxe mais do que desafios e mudanças estruturais para o mundo corporativo. Ela também é apontada como a grande vilã e a principal responsável pelo aumento do nível de estresse entre os executivos. A conclusão é do cirurgião brasileiro Gilberto Ururahy e do psiquiatra francês Éric Albert, autores do livro ¿O cérebro emocional¿, lançado ontem na Bienal do Livro no Rio. Segundo os especialistas, o funcionário workaholic está fora de moda.
¿ A globalização é o pano de fundo para o aumento do estresse entre os executivos. Eles agora são responsáveis por mais de uma função e, além disso, têm que estar atualizados para conquistar mercados e serem competitivos dentro de um cenário global. O executivo tem que dar resultados cada vez melhores para sua empresa. E alguns simplesmente não suportam ¿ diz Ururahy, responsável pela clínica Med-Rio Check-up, que atendeu a mais de 25 mil executivos nos últimos 15 anos.
Albert, que fundou o Instituto Francês de Ações sobre o Estresse, ressalta que o problema é o principal responsável pelas chamadas doenças modernas, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), depressão e obesidade. E ele faz um alerta: um funcionário desequilibrado, que não sabe lidar com suas emoções ou as esconde no trabalho, desestabiliza toda a equipe:
¿ No fundo, um dirigente tem que ter a capacidade de demonstrar suas emoções. Se ele não é capaz disso, não será nunca um bom dirigente.
DEMOCRÁTICO: ¿O estresse é democrático. Ele atinge todas as pessoas. É individual e contagioso. Não existe profissão ou cargo mais estressante. Além disso, um chefe estressado passa isso para seus funcionários¿, diz Ururahy.
EMPRESAS: ¿As empresas estão se preocupando com a saúde do funcionário. Antes, o check-up médico era visto como um benefício, hoje é encarado como uma segurança. A demanda sobre o executivo é tão grande que a empresa não pode permitir que, de uma hora para outra, uma doença quebre a engrenagem empresarial do seu negócio¿, ressaltou o cirurgião.