Título: USUÁRIO DEFENDE POUCAS EMPRESAS E SERVIÇO INTEGRAL
Autor: Andre Moragas e Maria Fernanda Delmas
Fonte: O Globo, 22/05/2005, Economia, p. 36

Analista diz que concorrência afetou finanças das teles

Mesmo quando a discussão é concentração de mercado e um possível aumento de preço, o usuário Gian Carlo Bloise continua defendendo a permanência de menos empresas de telecomunicações, desde que totalmente integradas, ou seja, oferecendo todos os serviços em um só pacote.

¿ Mesmo que se tenha um aumento de preços no primeiro momento com uma redução de competição, o avanço tecnológico já provou que atropela qualquer reserva de mercado. A voz sobre IP (VoIP) é um exemplo real. As grandes teles não oferecem o serviço no mercado, mas qualquer um que tenha acesso a um computador pode baixar na internet e falar do Rio para a Itália pagando o preço de uma ligação entre dois bairros. E vai acabar sendo mais saudável para a competição ter três empresas que ofereçam todos os serviços do que dez que oferecem serviços diferentes. O consumidor vai ser disputado pelo pacote completo e vai poder barganhar ¿ reflete.

Tarifas subiram de forma extremada

A competição acirrada hoje é na telefonia celular. Enquanto o setor de telefonia fixa está estagnado em cerca de 42 milhões de linhas, a telefonia celular não pára de crescer e já bateu nos 70 milhões de clientes. A analista de telecomunicações Luciana Leocadio, do BES Securities, alerta que as margens Ebitda (de geração operacional de caixa) das operadoras de celular estão danificadas, por causa da extrema concorrência.

Nas operadoras de banda A, vendidas na privatização da Telebrás, as margens giram em torno de 35%, enquanto no mundo esse nível é de mais de 40%. Nas empresas de banda B, que entraram no mercado montando uma estrutura do zero, as margens variam de 15% a 20%. O analista Eduardo Roche, da Ágora Senior, aposta que as margens permanecerão enfraquecidas a curto prazo.

Como a concentração no setor de celular não deve ocorrer logo, o consumidor continuará beneficiado com aparelhos subsidiados, que chegam a custar R$99 em dez vezes sem juros, e com os pacotes de tarifas. E o assédio aos consumidores não deve ceder. Um segundo passo nessa briga pode até ser uma guerra de tarifas.

¿ O nível de competição não permite arrefecimento da concorrência. Antes de sair um operador não acontece alta de preço ¿ afirma Luciana.

O economista Léo Sztutman, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), reconhece que a privatização melhorou a oferta na telefonia fixa, assim como a qualidade, mas diz que as tarifas subiram de modo extremado, por causa da regulação e da falta de concorrência. Além disso, os impostos são um componente alto nos preços.(A.M. e M.F.D.)