Título: Telefonia vive uma nova onda de concentração
Autor: Andre Moragas e Maria Fernanda Delmas
Fonte: O Globo, 22/05/2005, Economia, p. 36

CONCORRÊNCIA LIMITADA: A TENDÊNCIA MUNDIAL AGORA É OFERECER PACOTES COMPLETOS AOS CLIENTES, DE VOZ À INTERNET

Após privatização da Telebrás, em 1998, gigantes se consolidam e querem ser ainda maiores. Tarifas não caem

Sete anos após a venda pulverizada da Telebrás, alguns poucos grupos de telefonia dominam o mercado nacional. Mas o movimento ainda não acabou. Esses gigantes ensaiam nova rodada de fusões e aquisições de causar inveja a qualquer leilão de privatização. Na telefonia fixa, o movimento passa pela solução do conflito na Brasil Telecom (BrT) e até pela venda da Telemar, dizem analistas. No serviço de voz a consumidores residenciais, nunca houve mesmo concorrência de verdade, e o usuário não deve ter surpresas em termos de tarifas. O mercado aposta ainda na saída de uma das quatro grandes operadoras de celular ¿ e enquanto isso não acontece a guerra de preços deve continuar.

As apostas, as empresas não comentam, em um mercado onde o segredo é fundamental. Por trás de toda essa onda está a tendência global de oferecer pacotes completos ao consumidor: telefonia fixa de voz em casa e no escritório, telefonia celular, DDD, DDI, transmissão de dados e acesso à internet. Ganha força, por exemplo, a telefonia de voz por internet, com preços muito menores.

A questão mais iminente é a da BrT. A Telecom Italia, que quer integrar sua TIM nacional com telefonia fixa e internet, saiu na frente na disputa pelo controle total da BrT ao fazer um acordo com um inimigo histórico: o Opportunity aceitou vender sua parte aos italianos. Parece simples, mas não é. Os outros dois sócios ¿ fundos de pensão e Citigroup ¿ até querem vender, mas contestam o acerto na Justiça, pois querem mais explicações.

¿ Os italianos querem o controle total. Os fundos e o Citi querem desinvestir. No médio prazo isso deve se resolver ¿ acredita a analista de telecomunicações Luciana Leocadio, do BES Securities.

Telefônica poderia integrar Telesp e a celular Vivo

O problema é que a Telecom Italia luta contra o tempo. Ela tem até 18 de julho para resolver suas pendências. A empresa é acionista das celulares TIM e Brasil Telecom GSM, ambas com operações em áreas comuns, o que não é permitido por lei. Se até o fim do prazo os italianos já dominarem a BrT, poderão devolver as licenças sobrepostas.

A BrT esteve na mira de pelo menos outros dois grupos: Telemar e Portugal Telecom (PT). Segundo fontes do mercado, já estaria sacramentado um acerto entre os ibéricos: a PT venderia para a Telefônica os 50% que tem na Vivo. Com isso, a Telefônica poderia integrar a Telesp, operadora de telefonia fixa de São Paulo, com a Vivo, que ganhou porte nacional aglutinando operadoras. Mas o que se comenta no mercado é que os portugueses só deixariam a Vivo se estivessem com outra aquisição engatilhada ¿ por exemplo, da Telemar, que atua em 16 estados, incluindo o Rio.

Alguns grandes operadores já deixaram o Brasil. Foi o caso da americana MCI, que vendeu a Embratel para a Telmex, da BellSouth e da Bell Canada. Ainda há alguns ativos menores que podem causar marolas. Um deles é a GVT, que explora a Grande São Paulo, o Centro-Oeste, o Sul e alguns estados do Norte e é considerada uma empresa enxuta. A Telefônica estaria interessada, assim como a Telmex, do empresário mexicano Carlos Slim, que além da Embratel tem a Claro e a Vésper.

A Intelig, empresa-espelho da Embratel, foi posta à venda por seus acionistas estrangeiros, mas já chamou mais atenção. Por um preço módico, ainda pode ser uma opção, porque o código 23 é uma marca forte em longa distância.