Título: Impasse na negociação com o Irã
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Fonte: O Globo, 23/05/2005, O Mundo, p. 19

GENEBRA. O Irã advertiu ontem autoridades européias a não o ameaçar recorrendo ao Conselho de Segurança das Nações Unidas se fracassar uma reunião a ser iniciada quarta-feira, em Genebra, para negociações sobre seu programa nuclear. Se o encontro fracassar, afirmou, tomará decisões unilaterais.

¿ Temos adotado as disposições necessárias. O Conselho de Segurança não nos assusta. Isto significaria que um problema que poderia ser resolvido com negociação se transformará numa crise que os europeus já não controlam. A República islâmica não terá, então, qualquer obrigação, qualquer compromisso, e tomará decisões unilaterais ¿ afirmou Hamid Reza Assefi, porta-voz do Ministério do Exterior iraniano.

O Conselho de Segurança da ONU poderia reagir com sanções ao Irã, ou até mesmo ações militares, como acreditam analistas.

A pressão da comunidade internacional sobre o programa nuclear iraniano aumentou nos últimos dias, com a realização, na sede da ONU, em Nova York, de uma conferência para revisão do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares. E aumentará ainda mais a partir de quarta-feira, quando representantes de Alemanha, França e Reino Unido se reunirem em Genebra com o dirigente iraniano responsável pelo setor nuclear.

O Irã é signatário do tratado de não-proliferação nuclear, bem como de um protocolo adicional que submete suas atividades nucleares a um controle internacional. Em novembro do ano passado, concordou em suspender as atividades relacionadas a enriquecimento de urânio (que poderia levar à fabricação de bombas atômicas). Em troca, os europeus ofereceram cooperação nuclear, comercial e política.

Insatisfeito, porém, com o avanço das negociações, o Irã anunciou em 30 de abril passado a retomada das atividades de enriquecimento de urânio, mais uma vez garantindo que seu objetivo é apenas a produção de energia. Com isso, aumentou a ameaça dos negociadores europeus de levar o caso ao Conselho de Segurança da ONU, o que motivou a reunião desta semana, que Teerã já considerou ¿a última oportunidade¿. Autoridades iranianas disseram que a retomada do enriquecimento de urânio é irreversível, e que se limitarão a escutar os europeus.

Na ONU, depois de 21 dias de impasse, a conferência internacional se aproxima do fim com poucas chances de um acordo sobre novas formas de frear a expansão armamentista.