Título: PSDB COMEMORA DESGASTE DO GOVERNO
Autor: Geraldo Doca
Fonte: O Globo, 24/05/2005, O País, p. 8

Jantar reúne presidenciáveis tucanos; candidato só deve sair no fim do ano

BRASÍLIA. O PSDB não pretende desperdiçar a oportunidade de crescer em cima da crise política enfrentada pelo governo. Pelo contrário, os tucanos já começaram a comemorar os efeitos do desgaste do Palácio do Planalto diante da onda de denúncias de corrupção que atinge representantes da base governista.

Uma pesquisa encomendada pelo partido ao cientista político Orjan Olsen, do Instituto de Pesquisas Ipsos Opinion, indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é imbatível numa campanha à reeleição. Lula perderia a eleição hoje em dois dos principais colégios eleitorais do país: Minas Gerais, caso o candidato tucano fosse o governador Aécio Neves; e São Paulo, se seu adversário fosse o governador Geraldo Alckmin.

Este foi o principal assunto discutido ontem num jantar oferecido por Aécio, no Palácio das Mangabeiras, que reuniu a cúpula tucana. Entre os presentes estavam todos os presidenciáveis do PSDB: além de Aécio, os governadores Geraldo Alckmin, Marconi Perillo (GO), o prefeito de São Paulo, José Serra, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Também participaram do encontro os senadores Eduardo Azeredo (MG), Tasso Jereissati (CE) e o deputado Alberto Goldman (SP).

¿ Nossa intenção é fazer uma análise da situação do partido na Câmara e no Senado. Por enquanto, não pretendemos mudar em nada a nossa estratégia, que é a de escolher o nome de nosso candidato à Presidência só no fim do ano ¿ afirmou Azeredo, presidente do PSDB, antes do jantar.

Embora os tucanos neguem, também entrou na pauta do jantar a estratégia de atuação na CPI mista que deverá apurar as denúncias de corrupção nos Correios. O governo deverá ter maioria na comissão, mas o PFL reivindicará a relatoria, que caberá ao bloco PSDB-PFL. No Senado, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), já antecipou que poderá indicar para compor a comissão os mais duros críticos do governo, como os senadores Álvaro Dias (PR) e Antero Paes Barros (MT). Outra alternativa é o próprio Virgílio.

PT é o prato principal dos jantares tucanos

Este não foi o primeiro encontro desse tipo realizado pelos tucanos. O último deles, aliás, ocorreu na véspera de Fernando Henrique embarcar para o funeral do Papa João Paulo II no AeroLula como convidado do presidente. O anfitrião foi o senador Tasso Jereissati (CE), que ofereceu um jantar para um grupo menor. Nessas reuniões, o partido costuma afinar o discurso, seguindo as orientações de Fernando Henrique. Foi o ex-presidente, por exemplo, que deu início aos ataques ao que classificou de viés autoritário do governo Lula.