Título: DIRCEU: CPI NÃO PÁRA O PAÍS
Autor: Maria Lima, Luiza Damé e Ilimar Franco
Fonte: O Globo, 27/05/2005, O País, p. 3
Ministro diz que Suplicy `é estranho¿
BRASÍLIA. O chefe da Casa Civil, José Dirceu, foi esfriar a cabeça ontem passeando em uma exposição de flores em Brasília. Flagrado por uma equipe da TV Globo, ele disse que o governo não teme as investigações e derrubou um dos argumentos usados pelos próprios governistas. Afirmou que a CPI não vai paralisar nem o país nem o Congresso, e que o governo vai continuar governando.
¿ O governo vai governar. CPI é assunto do Congresso. As nossas prioridades são outras, não é CPI. Nem o Congresso vai ser paralisado e muito menos o país. O Brasil já tem maturidade. Se houver uma tentativa de paralisar o Congresso e o país, tenho certeza que a sociedade e a opinião pública vão repelir ¿ disse Dirceu.
Ele defende, entretanto, que o instituto das comissões parlamentares de inquérito seja revisto:
¿ O governo está investigando e por isso achávamos que a CPI era desnecessária. As CPIs não têm sido um bom instrumento nos últimos meses no Brasil. Não se pode substituir a Polícia Federal, o Ministério Público, a Controladoria, que já estão investigando. Precisamos rediscutir no Brasil, com serenidade, o papel das CPIs.
O ministro se mostrou irritado com os petistas que apoiaram a CPI e diz que o lugar deles é na oposição.
¿ Eu acredito que tem que prevalecer a unidade de ação no PT. O PT é um partido democrático, de discussão e debate, mas não pode tolerar o que vem acontecendo com esses deputados e deputadas, que estão na prática fazendo oposição ao governo. Lugar de quem faz oposição ao governo é na oposição, em outro partido, como foi o caso daqueles que fundaram o P-SOL e o PSTU. Não tem como conviver mais dentro do PT com essa situação. É a minha opinião como petista.
Mas mostrou-se complacente com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que considera ¿um pouco estranho¿, porém hors-concours dentro do partido.
¿ O senador Suplicy é um caso à parte. É hors-concours. Uma pessoa tão experiente, um político tão importante fazer isso... Estranho, né? Ele é um pouco estranho, mas é assim mesmo.