Título: VASP USOU CONTAS DE SETE FUNCIONÁRIOS PARA MOVER MILHÕES, ACUSA SINDICATO
Autor: Erica Ribeiro e Ronaldo D'Ercole
Fonte: O Globo, 28/05/2005, Economia, p. 21
Trabalhadores dizem que foram coagidos por diretoria, segundo advogado
RIO e SÃO PAULO. O Sindicato Nacional dos Aeroviários está levantando informações sobre movimentações bancárias de sete funcionários da Vasp. Segundo os próprios funcionários, suas contas foram usadas para depósitos e saques de grandes quantias em dinheiro pela Vasp. Como revelou anteontem o colunista do GLOBO Ancelmo Gois, apenas por uma das contas passaram R$43 milhões.
Os comprovantes de depósito e demais documentos foram enviados ao juiz interventor da Vasp, Homero Batista Mateus da Silva, da 14ª Vara do Trabalho de São Paulo, que deverá entregar o material ao Ministério Público.
¿ Os próprios funcionários estão procurando o sindicato e informaram que foram coagidos a abrir as contas pela diretoria da Vasp. O mais importante é saber de onde vem esse dinheiro ¿ disse ontem o advogado do sindicato, Álvaro Sérgio.
Um dia depois que a denúncia foi publicada, o dono da Vasp, Wagner Canhedo, assinou um acordo no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP) comprometendo-se a pagar, já a partir de junho, os salários em atraso desde dezembro de 2004 e as obrigações trabalhistas pendentes aos cerca de 2,5 mil funcionários que ainda têm vínculo com a companhia.
As pendências, segundo a procuradora do Ministério Público do Trabalho Viviann Mattos, envolveriam R$40 milhões. Canhedo ainda terá de depositar uma caução de R$40 milhões. Os depósitos devem ser feitos até sexta-feira, e na terça-feira a Vasp terá que apresentar carta de garantia do Banco do Brasil para provar que há dinheiro. Cumpridas as exigências, o juiz suspenderá a intervenção, iniciada em 10 de março.
O acordo não permite que a Vasp, parada desde janeiro, volte a voar agora. A concessão termina no próximo dia 9, e expectativa é que a Vasp peça mais prazo ao governo após pagar as contas pendentes.
¿ É prematuro avaliar o acordo. Ele (Canhedo) assinar não significa nada ¿ disse a presidente do Sindicato dos Aeronautas, Graziella Baggio.
O acordo preserva os direitos dos trabalhadores em caso de falência ou venda da Vasp. Na audiência, Canhedo estava acompanhado de dois supostos executivos da GBDS S.A., que estaria interessada em comprar a Vasp. Segundo fontes, no contrato social da GBDS consta que a empresa era prestadora de serviços de informática, com capital inicial de mil reais, e passou a ser uma empresa de investimentos, com capital ainda não aportado de R$210 milhões.
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