Título: Na volta do Japão, Lula tenta rearticular base
Autor: Cristiane Jungblut
Fonte: O Globo, 29/05/2005, O País, p. 10
Presidente cancela entrevista coletiva prevista para o encerramento da viagem e evita falar sobre CPI dos Correios
NAGÓIA, Japão. Depois de passar os últimos dias mandando recados ao Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou ontem entrevista que estava acertada para fazer um balanço da viagem de quase uma semana à Ásia ¿ período no qual a crise se agravou ¿ e regressou ao país. Ele desembarca hoje em Brasília para tentar apagar o incêndio causado pela abertura da CPI dos Correios. Segundo integrantes da comitiva, o presidente volta para reassumir o papel de articulador político do seu próprio governo, já que o ministro da Casa Civil, José Dirceu, fracassou na missão recebida de coordenar a estratégia para evitar a CPI.
Na viagem, Lula escalou o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para falar sobre a crise e passar o discurso de que é preciso evitar que a CPI se torne palanque eleitoral da oposição. Ontem o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, que acompanhou Lula na viagem ao Japão, reclamou da falta de unidade da base aliada. Numa crítica ao PT, que traiu o governo na questão da CPI, Mares Guia disse que é preciso apoiar o governo em todas as ocasiões e não apenas nas horas boas.
Esforço para manter agenda econômica da viagem
Durante a estadia no Japão, o presidente ficou visivelmente irritado todas as vezes em que lhe perguntaram sobre o assunto e reclamou com integrantes da comitiva da insistência da imprensa. Ontem, ao visitar a 3ª Expo-Business, uma feira de negócios e serviços no Japão, Lula, mais uma vez, não quis responder a perguntas. O esforço, segundo assessores, era manter, pelo menos publicamente, a pauta econômica da viagem.
Na viagem, Lula fez questão de mostrar a empresários e investidores do que a economia do Brasil está sólida e que não será afetada por questões eleitorais. O governo saiu do Japão considerando positivas as negociações, principalmente para a venda de etanol ao país asiático.
O ministro admitiu que uma CPI tumultua o ambiente político no Congresso e disse que o PTB não teme nem a realização da investigação, nem indicar nomes para que a comissão comece a funcionar.