Título: PARADA GAY REÚNE UMA MULTIDÃO EM SÃO PAULO
Autor:
Fonte: O Globo, 30/05/2005, O País, p. 13

Segundo a organização, mais de 2,5 milhões de pessoas estiveram na passeata, marcada pelo bom-humor

SÃO PAULO. Cerca de 2,5 milhões de pessoas participaram da 9ª edição da Parada do Orgulho Gay, segundo cálculos da organização do evento (o número, para a Polícia Militar, chegou a 1,8 milhão), este ano acompanhado por representantes do Guiness Book, o livro dos recordes, que pode reconhecer a festa como a maior parada gay do mundo. Marcada pela animação e pela presença de políticos, artistas e mais de 700 mil turistas de dentro e fora do país, a passeata ¿ que este ano teve como mote ¿Parceria civil já! Direitos iguais: nem mais, nem menos¿ ¿ assim como nos anos anteriores, transcorreu sem nenhuma confusão.

Já na noite de sábado, bares, casas noturnas e ruas situadas no entorno da Avenida Paulista, de onde saiu a marcha, tiveram uma grande movimentação de pessoas. Nos pontos mais badalados sobrou apenas o espaço para a passagem dos veículos.

Mas o mar colorido de gente, marcado pelo bom-humor, começou a se agitar mesmo à partir das 11h de ontem, nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Vinte e dois trios elétricos participam do evento, que seguiu rumo à Rua da Consolação e foi até a Avenida Ipiranga, onde a parada terminou.

Políticos e celebridades participam da festa

A Avenida Paulista esteve totalmente lotada e colorida, desde o período da manhã. Além das bandeiras do arco-íris, símbolo dos gays no mundo todo, muitas pessoas se apresentaram fantasiadas. Políticos como a ex-prefeita Marta Suplicy (PT), o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), e o presidente nacional do PT, José Genoino, marcaram presença. Nos trios, Fafá de Belém e os ídolos bregas Gretchen e Sidney Magal, ícones do movimento, entre outros, desfilaram seus repertórios.

Outra grande atração da festa e um dos mais aplaudidos foi o professor e escritor baiano Jean Willys, vencedor da última edição do Big Brother Brasil. Também de cima de um caminhão ele acenava para a multidão em delírio.

Aproveitando a enorme movimentação e atenção pública dada às festividades, foram colocadas listas em estações de trem, de metrô e de ônibus para colher assinaturas em prol do projeto de lei de parceria civil registrada (que reconhece legalmente a união de pessoas do mesmo sexo), que tramita há mais de dez anos no Congresso. São necessárias um milhão e duzentas mil assinaturas para que o projeto seja colocado em pauta.