Título: Sensus: denúncias afetam popularidade de Lula
Autor: Ilimar Franco
Fonte: O Globo, 01/06/2005, O País, p. 9

Dos entrevistados, 51,2% têm conhecimento do escândalo dos Correios e, destes, 86% apóiam a CPI

BRASÍLIA. As denúncias de corrupção nos Correios atingiram a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a credibilidade de seu governo, que caíram de dois a três pontos entre abril e maio, mas não abalaram seu favoritismo para as eleições presidenciais de 2006, segundo pesquisa do Instituto Sensus divulgada ontem pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). A aprovação ao desempenho pessoal de Lula vem caindo desde fevereiro, quando ele era aprovado por 66,1% dos entrevistados, passando para 60,1% em abril e para 57,4% agora em maio. A desaprovação a Lula subiu de 29% em abril para 32,7% em maio.

Tendência de queda foi iniciada em dezembro

A avaliação do governo mantém a tendência de queda iniciada em dezembro, quando o governo era avaliado positivamente por 44,5%. Este índice caiu para 42,6% em fevereiro, 41,9% em abril e, em maio, para 39,8%. A avaliação regular reduziu-se de 39,8% em abril para 38,3% em maio e a avaliação negativa subiu de 16% em abril para 18,8% em maio. A análise técnica da pesquisa é de que as denúncias de corrupção nos Correios contribuíram para a queda de popularidade, mas não são o único fator, pois trata-se de uma tendência verificada há quatro meses.

A pesquisa foi feita de 24 a 27 de maio, com duas mil pessoas. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos.

Mesmo com a tendência de queda na avaliação pessoal e na credibilidade do governo, se as eleições presidenciais fossem hoje, Lula, de acordo com a pesquisa, venceria em todas as simulações. Em apenas um cenário, tendo como adversário o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), haveria segundo turno. A pesquisa também demonstra que o ex-governador do Rio Anthony Garotinho manteve seu desempenho em relação às sondagens anteriores, apesar da decisão da juíza eleitoral de Campos, Denise Appolinária, que o declarou inelegível.

- O eleitor tem demonstrado um comportamento racional diante das denúncias. Ele prefere esperar pela investigação dos escândalos e pela decisão da Justiça, tanto nos fatos envolvendo o governo Lula quanto nos que se referem ao governo do Rio. O eleitor não está comprando com muita facilidade os argumentos gerados na luta política - diz o cientista político Ricardo Guedes, do Sensus.

Nos últimos meses aumentou a prática da corrupção no governo, na opinião de 31,2% dos entrevistados. E 31,4% disseram que há menos corrupção hoje no país do que no governo Fernando Henrique. Para 34,4%, a corrupção é igual nos dois governos. Para 26,7%, a corrupção é maior no atual governo que no governo anterior. Entre os entrevistados, 51,2% têm conhecimento do escândalo dos Correios e, destes, 86% apóiam a CPI para apurar o caso.

- A percepção das pessoas é de que a corrupção aumentou ao longo do governo Lula, mas ainda se considera que neste governo há menos corrupção do que no anterior - disse o cientista político Ricardo Guedes, do Instituto Sensus.

A política econômica está no rumo errado para 45,2% dos entrevistados e no rumo certo para 37,5%. A política social também está no rumo errado para 42,8% e no certo para 41%. No geral, as ações do governo estão sendo conduzidas de forma ineficaz para 44,8% dos ouvidos, percentual superior aos 36,5% de dezembro de 2004.

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Alckmin, o mais bem avaliado

BRASÍLIA. Numa lista de oito por ordem alfabética, a pesquisa CNT/Sensus também perguntou qual é o melhor governador. O tucano Geraldo Alckmin, de São Paulo, foi considerado o melhor, sendo citado por 18,4% dos entrevistados.

Em segundo lugar ficou o também tucano Aécio Neves, governador de Minas, escolhido por 16,6% dos entrevistados. Em terceiro lugar, citada por 13%, ficou a governadora do Rio, Rosinha Garotinho (PMDB). O governador do Paraná, o também peemedebista Roberto Requião, ficou em quarto lugar, com 5,4% das citações; o pefelista Paulo Souto, da Bahia, foi lembrado por 4%; o pernambucano Jarbas Vasconcelos (PMDB), por 4,6%; Germano Rigoto (PMDB), do Rio Grande do Sul, com 4,5%; e o tucano Lúcio Alcântara, do Ceará, foi citado por 2,6% dos entrevistados. A maior parte dos entrevistados (30%) não sabia ou não respondeu à pergunta.

O bombeiro Palocci

Ministro ajuda a debelar crise política

BRASÍLIA. O freio de arrumação na crise política está sendo monitorado também pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Desde segunda-feira, depois de uma semana na comitiva presidencial que foi à Ásia, Palocci não tira o pé da sala que ocupa ao lado do gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no terceiro andar do Palácio do Planalto. Ali, além de cuidar das questões econômicas, tem dedicado boas horas do dia a ajudar o governo a debelar a crise política.

A presença de Palocci, dono da chave do cofre do governo, nas articulações políticas vinha sendo reclamada pelos aliados. O ministro tem demonstrado disposição de atender a demandas de parlamentares da base pela liberação de recursos das emendas ao Orçamento. Mas, por enquanto, são só promessas. Palocci vem trabalhando com uma agenda para a liberação de emendas, mas a ordem no governo é somente liberar os recursos quando a crise for superada.

A avaliação do Planalto é que a atuação de Palocci tem surtido efeito no campo político e na área administrativa. A atuação dele também foi determinante na decisão do Planalto de acionar a tropa de choque para barrar a CPI dos Correios.