Título: EMPRESAS BUSCAM CONTRATOS DE EXPORTAÇÃO EM OUTRAS MOEDAS
Autor: Patricia Eloy
Fonte: O Globo, 03/06/2005, Economia, p. 21

Com a queda do dólar, Sadia fatura em euro e libra. Volks ajusta preços e Motorola vê ameaça no câmbio

SÃO PAULO. Os exportadores brasileiros estão recorrendo a diferentes estratégias para minimizar os efeitos desfavoráveis da excessiva desvalorização do dólar. A Sadia, que tem praticamente metade do seu faturamento obtido com vendas no exterior, vem se empenhando em negociar contratos de exportação em outras moedas, em vez do dólar.

No primeiro trimestre deste ano, cerca de 30% dos R$907,4 milhões das suas receitas com exportação foram faturadas em euro (20%) e libras (10%). A expectativa da empresa é que, com as novas desvalorizações sofridas pela moeda americana, a participação das receitas nessas duas moedas neste segundo trimestre supere esse percentual.

A Volkswagen, o maior exportador nacional do setor automotivo, que vendeu 40% de sua produção no exterior e faturou US$1,5 bilhão em 2004, está renegociando os contratos que prevêem revisão de valores. Nesses casos, explica a diretora de Assuntos Corporativos da empresa, Júnia Nogueira de Sá, os ajustes nos preços para corrigir a depreciação da moeda americana são acompanhados de diminuição de volumes e ajustes no mix dos seus modelos exportados.

- Apesar de ter suas contas penalizadas pelo atual nível do câmbio, a Volks vê a atual situação como transitória. E os nossos contratos são mais longos que essa crise - diz.

Enquanto aproveita a reativação do mercado argentino e o início das vendas para a Colômbia, que fizeram suas receitas com exportações atingirem US$302 milhões de janeiro a abril (mais que o dobro dos US$128 milhões no mesmo período de 2004), a filial brasileira da Motorola se vale do fato de seus contratos serem de curto prazo para equilibrar as receitas internas com as das exportações.

- Estamos buscando melhoria e manutenção das margens com produtividade - diz o diretor-geral da Motorola, Luis Carlos Cornetta, que considera preocupante o atual patamar da moeda americana.

A Calçados Sândalo, de Franca, no interior paulista, deve exportar este ano 30% de sua produção, e não 50% como em 2004. O presidente da empresa, Carlos Brigagão, diz que ao reduzir os volumes, conseguiu negociar linhas de calçados mais caros, o que deve garantir à empresa este ano 90% das receitas em dólares do ano passado.