Título: Empresa pede sacrifício dos credores federais
Autor: Érica Ribeiro
Fonte: O Globo, 04/06/2005, Economia, p. 25

Varig quer mais tempo para pagar despesas

BRASÍLIA e SÃO PAULO. Para colocar em prática seu plano de reestruturação, a Varig pediu quinta-feira ao alto escalão do governo o sacrifício dos credores públicos federais (Infraero, BR Distribuidora e Banco do Brasil), que são essenciais para a companhia. A empresa quer prazo de carência, alongamento de dívidas antigas e mais tempo para pagar as despesas correntes com combustível e tarifas aeroportuárias.

Semana que vem, o governo saberá mais detalhes da proposta da TAP de adquirir 20% do capital da Varig. Em viagem a Portugal, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, tratará do tema terça-feira com o presidente português, Jorge Sampaio.

As demandas da Varig são grandes. No caso da Infraero, a companhia quer pagar as tarifas aeroportuárias (de cerca de R$1,1 milhão/dia) a cada 15 dias, como suas concorrentes, e não mais por dia, como faz hoje. Além disso, a empresa pediu um prazo de carência e o alongamento da dívida de R$190 milhões, que está securitizada em recebíveis (venda de bilhetes aéreos), com vencimentos mensais até 2007.

Já com BB e BR Distribuidora, a Varig quer ampliar o prazo de pagamento de dez para 20 dias. Mas, segundo o presidente da Infraero, Carlos Wilson, enquanto a Varig não pagar os R$132 milhões referentes a tarifas aeroportuárias acumuladas que a estatal está cobrando na Justiça, não há acordo.

Ontem, circularam rumores de que o plano de reestruturação da Varig prevê a participação do BNDES, que poderia emprestar US$150 milhões à TAP, que entraria com outros US$20 milhões. Mas a assessoria da instituição nega qualquer consulta nesse sentido.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) e os sindicatos de aeronautas e aeroviários pediram ontem no Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo (TRT-SP) a execução dos bens do controlador da Vasp, Wagner Canhedo, para pagar dívidas trabalhistas da empresa. Foi pedida uma execução provisória, pela qual a Vasp teria de depositar imediatamente R$40 milhões na conta do TRT. O juiz da 14ª Vara vai se pronunciar sobre o pedido nos próximos dias e, caso determine a execução imediata dos bens de Canhedo, ele poderá recorrer. (Geralda Doca e Ronaldo D¿Ercole)