Título: TAM AMPLIA LIDERANÇA E VARIG FICA EM TERCEIRO
Autor: Érica Ribeiro
Fonte: O Globo, 04/06/2005, Economia, p. 25

Com fim do `code-share', participação da líder no mercado doméstico sobe para 43,16%. Gol mantém 2º lugar

No primeiro mês sem code-share (compartilhamento de vôos), a TAM ampliou sua liderança no mercado de vôos nacionais, enquanto a Varig reforçou o terceiro lugar, mantendo-se atrás da Gol. Em maio, a TAM ficou com 43,16% de todo o bolo da indústria de aviação doméstica. A empresa conseguiu aumentar sua participação em relação aos 42,30% de abril ¿ quando o compartilhamento de aviões com a Varig ainda estava em vigor ¿ em 0,9 ponto percentual.

A Gol, apesar de ter registrado queda na participação em relação a abril, quando ultrapassou a Varig, continua na frente da concorrente. Ficou com 27,61% do mercado, contra 27,81% de abril. A Varig também registrou queda, passando de 27,61% em abril para 26,87% em maio. Os dados do setor foram divulgados ontem pelo Departamento de Aviação Civil (DAC).

De acordo com a TAM, o resultado de maio mantém a companhia pelo 23º mês consecutivo na liderança. Para a empresa, o crescimento no mercado doméstico se deve a uma malha aérea eficiente e a preços competitivos, além das promoções.

Segundo o analista Marcelo Ribeiro, da Corretora Pentágono, a distância da Varig em relação às concorrentes tende a aumentar, por causa da crise da companhia e da demora na solução para o endividamento da empresa.

¿ Maio foi o primeiro mês após o fim do code-share com a TAM e é o início de um processo que pode aumentar cada vez mais a distância da Varig para suas concorrentes, pela dificuldade financeira da empresa. TAM e Gol estão capitalizadas, com aviões mais novos e estrutura de custos enxuta.

TAM levou a melhor no `code-share', diz analista

Para Ribeiro, o aumento da participação da TAM em maio vem a calhar, porque além de mostrar que a empresa está forte no mercado doméstico é uma propaganda positiva, já que a companhia lança ações em bolsa ainda este mês. Na avaliação do analista, o acordo de compartilhamento de aviões entre Varig e TAM foi bom para as duas, mas acabou beneficiando mais a TAM o que a Varig, pelo menos a médio prazo.

¿ Para a Varig, o code-share ajudou a melhorar a geração de caixa. Para a TAM, fez aumentar suas taxas de ocupação. Com o fim do compartilhamento, fica claro que na divisão de assentos a TAM levou a melhor, já que pelos dados apresentados houve migração de passageiros do code-share para a TAM.

Apesar de estar em terceiro lugar no mercado de aviação doméstica, a Varig continuou líder no segmento internacional no mês de maio, com 81,33% de participação, contra 16,75% da TAM e 1,89% da Gol. No acumulado de janeiro a maio deste ano, a Varig ficou com 81,69% do mercado internacional, enquanto a TAM registrou 16,30% e a Gol, 1,99%.

O analista Marcelo Ribeiro alertou, no entanto, que a manutenção destes índices no mercado internacional vai depender também dos rumos da Varig, a partir dos acordos anunciados com a TAP.

¿ Se a Varig fecha um acordo com a TAP e esse acordo por algum motivo não vai à frente, como aconteceu na época da tentativa de fusão com a TAM, a empresa mais uma vez fica exposta ao risco de perder passageiros. Se perde mercado no internacional, a Varig perde também o peso político que tem por ser uma empresa de bandeira no exterior e gerar divisas de US$1 bilhão. Se as relações hoje com o governo não são boas, podem piorar com perda de mercado no segmento internacional ¿ avalia Ribeiro.

www.oglobo.com.br/boaviagemonline