Título: CÚPULA QUER TIRAR JEFFERSON DO COMANDO DO PTB
Autor: Gerson Camarotti
Fonte: O Globo, 07/06/2005, O País, p. 12
Deputado some e assessoria avisa que ele só fala em CPI
BRASÍLIA. Onde está o deputado Roberto Jefferson? Um dia depois de ter detonado uma bomba contra o governo Lula, que surpreendeu até mesmo seus companheiros de partido, o presidente do PTB sumiu. Durante todo o dia de ontem não houve movimentação no prédio do bloco I, de apartamentos funcionais da Câmara, da quadra 302 norte de Brasília, onde Jefferson é o único morador. Enquanto Jefferson desaparecia, a cúpula do PTB decidiu que, após a entrevista, era insustentável sua permanência na presidência do partido.
Logo de manhã, o Land Rover de Jefferson saiu da garagem do prédio. Mas os vidros com película não permitiram ver se o deputado estava nele. Até o início da noite, nenhum sinal do deputado que, segundo sua assessoria, só vai se pronunciar novamente, se convocado por uma comissão parlamentar de inquérito (CPI). O certo é que Jefferson passou o fim de semana em seu apartamento de Brasília.
Líderes do PB se reuniram à noite em Brasília
O ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia; o líder do PTB, José Múcio (PE); o líder do governo no Congresso, Fernando Bezerra (PTB-RN); o secretário-geral do partido, Luiz Antonio Fleury (PTB-SP); e o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Armando Monteiro (PTB-PE), passaram o dia conversando por telefone. À noite chegaram em Brasília e se reuniram.
Para os dirigentes do PTB não dá mais para Jefferson continuar no comando e, por isso, vão reunir a executiva para afastá-lo do cargo. Os trabalhistas acreditam que, desta forma, conseguirão tirar o partido do centro do escândalo político e retomam o projeto de construir uma nova imagem para o PTB. O projeto de criar um novo PTB foi por água abaixo com o envolvimento de Jefferson no escândalo de corrupção nos Correios.
Vizinhos ironizam atitudes do deputado
Ontem, a movimentação dos jornalistas embaixo do prédio do presidente do PTB chamou a atenção de pessoas quem passava pelo local. Um dos vizinhos ofereceu café a um dos repórteres e ainda ironizou a atitude de Roberto Jefferson de mandar servir aos jornalistas duas garrafas de champanhe Chandon, em uma bandeja com taças de cristal, carregada por uma garçonete, no sábado:
¿ Se ele mandar outra champanhe para vocês, me chamem ¿ brincou o vizinho do deputado.