Título: PALOCCI TROCA O CORREGEDOR DA RECEITA
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Fonte: O Globo, 08/06/2005, Economia, p. 26
Moacir Leão diz que "monstro da corrupção" ainda está vivo no Fisco
BRASÍLIA. Recém-saído do cargo de corregedor da Receita Federal, o auditor Moacir Leão disse ontem ao GLOBO que sua missão ainda não estava cumprida e que "o monstro da corrupção ainda está vivo" dentro do Fisco. Leão ocupou a corregedoria durante três anos e, nesse período, iniciou investigações que lhe renderam desafetos, entre eles, o próprio secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, com o qual protagonizou uma briga que precisou da direta intervenção do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Na época, o ministro chamou os dois em seu gabinete para lembrá-los de que era cirurgião e sabia muito bem cortar.
- Me resigno e aceito a decisão do ministro. Mas não posso dizer que minha missão está cumprida porque o monstro chamado corrupção que existe na Receita não está morto. Espero que as investigações que foram iniciadas pela corregedoria continuem - disse Leão.
Ele foi substituído por Marcos de Mello, que estava na delegacia da Receita em Bauru. O novo corregedor tem 43 anos e ingressou no Fisco em 1993.
As brigas entre Moacir Leão e o comando da Receita Federal começaram em 2003 quando o ex-corregedor iniciou um processo contra um dos secretários-adjuntos de Rachid, Leonardo Couto, por obstrução do trabalho da corregedoria nas investigações do "propinoduto" no Rio de Janeiro. Logo após o processo, foi divulgada na imprensa a gravação de uma conversa telefônica entre Couto e outro auditor, Flávio Franco Correa, que foi interpretada por Leão como uma ameaça à sua segurança. Na conversa, Flávio teria dito: "o corregedor, um cara tão mau, tem que levar um tiro".
Na ocasião, Rachid apoiou Couto, mas o então secretário-adjunto acabou pedindo exoneração do cargo. Ao perceber que a disputa interna na Receita estava se transformando numa bola de neve, Palocci solicitou o processo em que Couto estava sendo investigado por Leão e criou uma comissão de procuradores da Fazenda Nacional para julgar o caso.