Título: Brasil garante suprimento de gás por 15 dias
Autor: Ronaldo D'Ercole
Fonte: O Globo, 11/06/2005, O Mundo, p. 32
Ministra de Minas e Energia diz que por enquanto não há necessidade de adotar medidas de racionamento
SÃO PAULO. A ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, descartou ontem a possibilidade de o Brasil adotar de imediato um racionamento de gás natural. Segundo ela, num "cenário médio" para a crise na Bolívia, ou seja, mantidas as condições vigentes até ontem, existem condições de manter a normalidade do abastecimento de gás natural no país por mais 15 dias.
- No horizonte que trabalhamos, achamos que ainda temos condições de contornar esse problema por mais duas semanas - disse a ministra, depois de participar de uma reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.
Mobilização de governo, Petrobras e ANP
A ministra afirmou que sua pasta trabalha com a Petrobras e a Agência Nacional de Petróleo (ANP) para evitar ao máximo a necessidade de qualquer contenção no consumo interno de gás. Entre as providências já adotadas, ela disse que as termoelétricas bicombustíveis (que não operam exclusivamente com gás) estão usando apenas diesel leve.
Dilma disse também que nas áreas de refinarias da Petrobras em que o gás pode ser substituído também já se usa outro combustível.
- Com isso, uma parte expressiva de gás térmico se torna disponível - explicou.
A ministra assegurou que não há qualquer interrupção no fornecimento de gás para o Brasil, mas apenas de líquidos - substâncias obtidas da extração do gás natural, que podem ser transformadas em gás liquefeito de petróleo e até num tipo de gasolina - para os próprios bolivianos, por causa dos bloqueios nas estradas do país. Sem ter como escoar esses líquidos, reconheceu Dilma, pode haver problemas na produção do gás boliviano e, conseqüentemente, no abastecimento do mercado brasileiro.
- Então estamos tomando providências dentro da Bolívia no sentido de facilitar esse escoamento - disse.
A Petrobras envia diariamente 24 milhões de metros cúbicos de gás para o Brasil.
Brasil depende de acesso a reservas da Bolívia
Embora esteja implementando uma série de medidas para ampliar a produção nacional de gás natural, a ministra afirmou que o Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol) é fundamental para o Brasil, que precisa ter acesso às reservas do país vizinho.
- Temos um contrato de 30 anos, cujas cláusulas dão prioridade ao abastecimento do Brasil. E queremos essas cláusulas cumpridas - disse Dilma.
Ela reconheceu que não há como controlar situações de crise extrema como a atual:
- Essa eventualidade foge ao nosso controle e podemos reagir a ela. Mas de maneira alguma está na nossa pauta considerar que o projeto foi um erro ou não devia ter sido feito.