Título: PUBLICITÁRIO INFLUENTE NOS CORREIOS
Autor: Rodrigo Rangel
Fonte: O Globo, 13/06/2005, O País, p. 4
BRASÍLIA. Nas investigações para apurar os focos de corrupção nos Correios, o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, sócio das agências DNA Propaganda e SMP&B, aparece movimentando-se com grande desenvoltura na estatal e tratando de negócios fora da área da propaganda. O publicitário foi apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como um dos operadores do tesoureiro Delúbio Soares no pagamento de mesada aos aliados. A SMP&B é uma das agências que atende a conta dos Correios.
No meio empresarial, Marcos Valério é conhecido como um homem capaz de abrir portas para negócios com os Correios e com outras estatais. A agência SMP&B também tem as contas do Ministério dos Esportes e da Câmara dos Deputados, enquanto a DNA Propaganda atende ao Banco do Brasil, à Eletronorte e ao Ministério do Trabalho.
No Congresso, o publicitário é chamado de "homem da mala" exatamente pela ligação com Delúbio Soares. Nas novas denúncias, Jefferson disse que o dinheiro do mensalão chegava ao Congresso em malas. O episódio foi relatado por outros políticos, que preferem manter a identidade em sigilo. Segundo esses políticos, o contato de Marcos Valério seria com os líderes de partidos aliados.
A empresários e em áreas do Executivo, Valério se apresentaria como emissário de Delúbio, mostrando grande desenvoltura para negociar em nome do governo e do tesoureiro do PT. Ele não tem ligação histórica com o PT e já atuava no meio publicitário antes de o partido chegar ao governo. Foi sócio do empresário Clésio Andrade (PL) na SMP&B Comunicações. Clésio é vice-governador de Minas Gerais e presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), mas hoje está rompido com o ex-sócio.
Ontem, Marcos Valério divulgou nota em resposta às denúncias de Jefferson e informou, por meio de sua assessoria, que vai dar entrada hoje no Supremo Tribunal Federal (STF) em uma interpelação para que o deputado comprove suas denúncias.
Na nota, Valério afirma que em respeito a seus sócios e funcionários das empresas das quais é acionista "está tomando todas as medidas judiciais, civis e criminais cabíveis" contra Jefferson. Ele diz que o próprio Jefferson desqualifica sua denúncia ao afirmar que não tem provas, documentos nem testemunhas do que afirmou.