Título: MIRO PEDE APURAÇÃO SEM USO POLÍTICO
Autor: Alan Gripp
Fonte: O Globo, 13/06/2005, O País, p. 5
O deputado federal Miro Teixeira (PT-RJ) defendeu ontem uma apuração responsável das denúncias de pagamento, pelo PT, de mesadas a parlamentares. Miro, que confirmou ter sido informado do chamado mensalão antes de o escândalo vir à tona, disse que todas as denúncias devem ser apuradas e os culpados, punidos. Mas afirmou que os políticos e a imprensa precisam evitar a exploração política das denúncias. Sem citar nomes, Miro criticou o comportamento do grupo classificado por ele de "as viúvas do Collor".
- Começou a aparecer aí um conjunto de viúvas do Collor, que são as mais excitadas com isso tudo. O PSDB mesmo tem tido uma postura sóbria, mas esses personagens não. É preciso separa o joio do trigo, mas sem jogar nada fora - disse Miro.
O deputado citou declarações dadas pelo ex-presidente Fernando Collor na revista "Istoé Dinheiro" comentando as denúncias de corrupção nos Correios e comparando o momento político atual com o que resultou em seu impeachment, em 1992:
- É muito sintomática a entrevista dele. É preciso que esta investigação não sirva para nivelar e redimir notórios ladrões públicos - afirmou Miro. - Temos que evitar um processo às avessas, em que haja sentença prévia e depois se procurem os culpados.
Miro Teixeira é uma importante peça do caso. Logo após a divulgação das denúncias de Roberto Jefferson, ele confirmou que ouvira do próprio Jefferson o relato de uma reunião num gabinete ministerial, com a presença de um ministro, um chefe de departamento e três líderes partidários, para pôr em prática o suposto esquema do mensalão.
Deputado defende investigação no Congresso
Ontem, ele defendeu a investigação das denúncias pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e também pela CPI. E disse que a quebra do sigilo telefônico dos envolvidos pode auxiliar.
- A quebra de sigilo telefônico dos suspeitos pode revelar quem se relacionava com quem com assiduidade nos últimos meses. Há a necessidade de se apurar tudo, que ninguém se considere a salvo da investigação - afirmou o deputado.