Título: INVESTIMENTOS EM PUBLICIDADE CRESCERAM 17% EM 2004 E SOMARAM R$15 BILHÕES
Autor: Ronaldo D'Ercole
Fonte: O Globo, 13/06/2005, Economia, p. 17
SÃO PAULO. O mercado publicitário brasileiro cresceu a uma taxa três vezes maior que a da economia em 2004. Os investimentos em propaganda no país alcançaram a cifra de R$15 bilhões no ano passado, um salto de 17% sobre os R$12,8 bilhões de 2003 - no mesmo período, a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 4,9%. Os dados constam da publicação "Agências & Anunciantes", elaborada pela Editora Meio & Mensagem em parceria com Ibope Monitor, que será divulgada hoje.
No ranking dos maiores anunciantes do país, o destaque do ano passado foram as Casas Bahia. A rede varejista elevou em 89% seus investimentos em campanhas publicitárias, de R$378,2 milhões em 2003, para R$713,1 milhões, e manteve-se, com folga, no primeiro lugar pelo segundo ano consecutivo. No segundo posto manteve-se a Unilever, que elevou em 32% suas verbas, para R$305,8 milhões, seguida da AmBev, com R$230,5 milhões, 56% mais do que no ano anterior.
O salto mais expressivo foi da operadora de telefonia móvel Vivo, que dobrou sua verba de publicidade, de R$73,8 milhões para R$153 milhões, e passou da 18ª para a quarta posição do ranking. Nessa disputa pelo crescente mercado de celular no país, a Vivo passou a Tim, que investiu R$131,2 milhões, 2% a mais que em 2003, e passou da sétima para sexta posição.
A lista dos dez maiores anunciantes do país tem ainda duas montadoras: a General Motors, na sétima posição com R$130 milhões aplicados, e a Ford, em nono lugar, com R$107,3 milhões. E mais duas varejistas: o grupo Pão de Açúcar, no oitavo posto, com gastos de R$128,3 milhões, e as Lojas Marabraz, na décima posição e com R$104,8 milhões em investimentos.
No ranking das maiores agências, a Young & Rubican, dona da conta das Casas Bahia, manteve-se no primeiro lugar, com R$919,6 milhões em verbas investidas, seguida pela Lew,Lara, que foi do quarto para o segundo posto, com R$448,3 milhões, e pela Ogilvy Brasil, que caiu de segundo para terceiro lugar, com R$397,7 milhões.
As projeções iniciais do mercado publicitário para este ano apontavam para uma expansão da ordem de 10% sobre 2004. A julgar pelo desempenho dos três primeiros meses do ano, trata-se de um salto possível: de janeiro a março, os investimentos em publicidade cresceram 16% frente a igual período de 2004. Mas a combinação de desaceleração na economia com a crise política das últimas semanas já está levando o setor a olhar com mais cautela as projeções para o ano.
- Essa projeção inicial de 10% poderá ser revista para baixo se o cenário atual piorar - diz a editora do jornal Meio & Mensagem, Regina Augusto.