Título: EUA: 59% QUEREM RETIRADA DO IRAQUE
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Fonte: O Globo, 14/06/2005, O Mundo, p. 25
Tribunal Especial que julga Saddam divulga imagens sobre interrogatório
WASHINGTON e BAGDÁ. Enquanto no Iraque a TV exibia ontem as primeiras imagens do ex-ditador Saddam Hussein em um ano - aparentemente sendo interrogado por um juiz sobre a morte de xiitas - nos EUA uma pesquisa mostrava que a maioria dos americanos está farta do conflito no Iraque e perdeu a confiança no presidente George W. Bush. Pela primeira vez, 59% deles defenderam uma retirada parcial ou completa das tropas no Iraque. Também pela primeira vez 56% disseram que a guerra não valeu a pena.
De acordo com a pesquisa realizada entre os dias 6 e 8 de junho pelo Instituto Gallup para o jornal "USA Today" e a TV CNN, só 36% dos americanos acham que os EUA devem manter ou aumentar sua presença militar no Iraque. É o índice mais baixo desde o início da guerra, em março de 2003.
Já a popularidade de Bush é de 47%, chegando perto do nível mais baixo de seus dois governos, 45%, registrado em março. Depois dos atentados do 11 de setembro, o índice chegara ao nível mais alto, 90%.
A pesquisa indicou que a paciência dos americanos com o conflito está diminuindo à medida que se dissipa o otimismo que cercara as eleições iraquianas, em janeiro passado, uma vez que a violência dos rebeldes contra os soldados americanos continua. O historiador Ronald Spector, da Universidade George Washington, comentou sobre os resultados:
- Alguns dos que acreditavam que era uma grande idéia retirar Saddam Hussein agora dizem: "queremos nossas tropas de volta para casa".
Críticas à forma com que imagens foram divulgadas
Em Bagdá, funcionários do Tribunal Especial Iraquiano disseram que as imagens de Saddam foram gravadas quando promotores o interrogaram sobre seu papel na execução de dezenas de xiitas na vila de Dujail, depois de um atentado contra ele, em 1982. As imagens foram divulgadas sem som, o que levou analistas a afirmar que as palavras do ex-ditador foram censuradas, como ele próprio fazia com suas vítimas.
"Por que usar os métodos do próprio Saddam, o filme silencioso, a suposição de culpa? Ou Saddam estava dizendo à corte que os EUA estavam por trás de seu regime, que Washington lhe dera meios para destruir curdos com gás?", perguntou Robert Fisk, no jornal britânico "Independent".
O interrogatório seria sobre o assassinato de xiitas em Dujail - cerca de 140. O ex-ditador parecia relaxado, embora taciturno, de barba e usando um terno escuro, como em sua última aparição, em julho.
Legenda da foto: SADDAM AO ser interrogado por juízes no tribunal em Bagdá