Título: IRÃ QUER AUMENTAR RELAÇÕES COMERCIAIS COM O BRASIL E PEDE INVESTIMENTOS
Autor: José Meirelles Passos
Fonte: O Globo, 15/06/2005, Economia, p. 28
Às vésperas das eleições e sob embargo, país dos aiatolás busca alternativas
TEERÃ, Irã. O Irã é, no momento, o mercado mais importante para as exportações brasileiras no Oriente Médio. Um terço das mercadorias vendidas para a região é desembarcado neste país que, embora tenha a terceira maior reserva de petróleo do mundo, importa até gasolina do Brasil. E a terra dos aiatolás agora quer algo mais dos brasileiros: investimentos. Um pedido nesse sentido foi feito ontem pelo ministro do Comércio, Mohammad Shariatmadari, durante reunião com o embaixador do Brasil em Teerã, Luiz Antonio Fachini Gomes:
- Ele me disse que o Irã tem um grande interesse em continuar tendo o Brasil como o seu grande parceiro na América Latina. Isso, segundo ele, é uma decisão estratégica e continuará sendo uma prioridade para o Irã mesmo com a mudança de governo nas eleições presidenciais desta sexta-feira - afirmou o diplomata.
Balança comercial é favorável ao Brasil
Com uma economia cujo crescimento caiu do nível de 6%, no ano fiscal encerrado em março de 2004, para 4,5% este ano, o país que sofre um embargo comercial dos EUA há 25 anos está tratando de buscar capital no exterior. A Petrobras, que já montou escritório em Teerã e, desde julho passado tem contratos de prestação de serviços ao governo iraniano, tem interesse em fazer outros tipos de negócios. Mas, para isso, depende de mudanças na legislação - que restringe a participação de petroleiras estrangeiras - para poder traçar planos mais concretos.
A balança comercial é extraordinariamente favorável ao Brasil. No ano passado o país vendeu o equivalente a US$1,1 bilhão ao Irã. Isso é quase quatro vezes mais do que as exportações feitas três anos antes. Ao mesmo tempo, o Brasil importou do Irã nada mais do que US$ 2,6 milhões em 2004 - contra US$3,2 milhões em 2001.
- Apesar de levarmos uma enorme vantagem nessa balança comercial, os iranianos continuam interessados em comprar mais de nós. O potencial desse mercado é muito grande. Temos de ampliar a nossa penetração aqui, trazendo mais produtos, diversificando a oferta - afirmou Fachini.
Segundo o ministro-conselheiro da embaixada, Renato Faria, uma das áreas que o Brasil deveria explorar mais é a de eletrodomésticos, hoje praticamente dominada pela Itália. Segundo ele, os iranianos cada dia mais adquirem esse tipo de produto.
A Embraer é outra empresa nacional interessada em vender ao Irã. Ela poderia ampliar ainda mais o superávit comercial brasileiro. Os iranianos já demonstraram interesse em adquirir jatos regionais made in Brazil.
Mas um obstáculo político ainda impede os negócios entre eles: o embargo americano. Ele afeta a Embraer, porque parte dos componentes utilizados na produção de seus aviões é fabricada nos EUA. E, portanto, a empresa brasileira está proibida de realizar exportações para o Irã.